28.2.13

Você me entende. Me atende.




ou De como não sei pontuação


para Érika.



"Se me esqueceres,
só uma coisa,
esquece-me bem devagarinho."
Mario Quintana

Assim como o cotovelo não se deixa encostar na língua, somos parte de um todo que, apesar de tudo, não perdeu suas particularidades e individualidades. Um organismo vivo codependente e autônomo, vivendo da contradição de sermos quem somos e sentindo toda dor de continuar... mesmo cansados demais para dar o próximo passo.

Você me entende Eu entendo Você me entende?!.

Sabe aquela mão que segura e aperta a nossa nos piores momentos? Aquela que não nos salvas, apenas nos dá o conforto de nos sentirmos compreendidos.

Eu entendo Você me entende Eu entendo.

Assim como quem fica sem dente eu te perco de vista por algum motivo qualquer que... não entendo. Mas finjo que não. Eu finjo. Finjo que não ligo se você vai, mas aqui fica um vazio. um vazio tão grande e um medo de não conseguir sem você.

Você me entende. Atende.

Assim como a unha que quebra na carne e só SuperBonder resolve. Assim como corte de papel, como areia nos dentes, assim como poeira nos olhos e faca afiada... Assim como tudo que é ruim, como tudo que por menor e mais fácil que seja de resolver mas continua incomodando, assim como tudo que dói.
Você me entende? Eu entendo. Você.

É assim a saudade que sinto da certeza de que você vai ficar pra sempre. Não tenho mais essa certeza, você me entende? Eu entendo você. 

Me entende? 
Amo Você. 
____________________ 

Ensaios da despedida ou Como sofrer de véspera. 






Não me mande flores.




Repito: Não me mande flores.



Todas as vezes que recebi flores elas cheiravam à remorso... Havia um cheiro fétido e insalubre de culpa, uma aparência de morte nas rosas vermelhas que deviam estar lindas na floricultura.


A morte de um amor só acontece por conta da falta de flores, sabe essas flores cor-de rosa que se abrem em botões, com pétalas macias e delicadas em cada maçã do rosto quando a gente ri? Sabe aquelas rosas vermelhas de desejo entre nossas pernas que se abrem como labaredas de fogo num incêndio? Sabe o cheiro bom das flores que vem num café-da-manhã levado na cama depois de uma noite dormindo juntinhos? O amor acaba justamente por conta da ausência de flores.


Repito (aos gritos):
Não me mande flores!

Os espinhos de cada rosa morta embaladas num plástico e amarradas com uma fita vermelha me dão a náusea de quem já não mais as suporta.


Nestas novas manhãs colhi flores cultivadas em meu pequeno jardim, são flores do meu amor por mim.




24.2.13

O Fim (Desculpe, não pude evitar!)

"Não temos sido puros e ingênuos
para não rirmos de nós mesmos
e para que no fim do dia possamos dizer
‘pelo menos não fui tolo’
e assim não ficarmos perplexos
antes de se apagar a luz...”
Clarisse Lispector


De que adianta tentar não ser tola?
É fundamental ser tola ou idiota de vez em quando.

Hoje é mais fácil saber me defender dos apuros da vida e perceber, ainda na expressão, a mentira alheia. Hoje, adulta, tudo se tornou mais claro e direto. Não sei no que isso me ajuda, se perder a ingenuidade era o processo necessário para alcançar o objetivo final - essa tal maturidade de que tanto me falaram - não sei qual foi a vantagem, até agora não veio muita maturidade e da inocência nem lembro mais o cheiro! Quando eu era mais ingênua tudo tinha cores mais vivas e a felicidade parecia próxima, quase tátil...

Eu tinha certezas de coisas que hoje nem fazem mais diferença.
Nessa luta para não perder a doçura que ainda tenho nos lábios, sinto, vez ou outra, um amargor sem fim. É um gosto meio ácido, meio amargo, parece um vinho encorpado que continua na boca mesmo quando o gole já foi dado. Pena que é um vinho ruim...

Como é que a gente faz pra não magoar alguém de quem gosta, a quem se quer bem, se o que essa pessoa quer é exatamente o contrário do que a gente quer?

Para se fazer algo assim é necessário estar firme no que foi decidido - no meu caso isso demora meses! É preciso também ser forte o suficiente e ter em mente que aquilo é o melhor para ambos. Repetir isso quantas vezes for necessário até compreender. É importante também ouvir a si mesma, se preparar para o que virá depois. Mágoa, rancor, vingança... Seja lá o que for, deve-se estar preparada, até mesmo porque nada na vida é sem consequências, elas não são boas ou ruins, apenas consequências.
Pessoas são o que há de mais importante na vida, só elas importam. Nossas relações são o que temos de mais valioso, quando magoamos alguém - como eu fiz - deve-se ter em mente se aquela foi a melhor opção ou se foi a única.

Finalmente consegui.

Tentei. Eu juro que tentei. Não queria magoar ninguém e acabei magoando, mas estava impossível continuar desse jeito!
É muito ruim ver alguém fazer planos com você, quando não se está na mesma sintonia com essa pessoa, quando não se quer a mesma coisa. Tenho medo da solidão, é verdade. Saí de um relacionamento longo e entrei - direto - em outro, isso não foi bom. Eu sei bem que não estava preparada para me relacionar agora mas o medo de ficar só era enorme e, mais uma vez, fui covarde. Dei esperanças e chances que não deveriam ter existido, dei espaço para algo que morreu faz tempo.

Tenho 31 anos e me sinto uma criança quando o assunto são relacionamentos amorosos, não sei lidar com o amor, meto os pés pelas mãos e só faço bobagem. Logo eu que quero tanto amar e ser amada, logo eu que sonho tanto em viver um amor.

Acho que só devemos nos relacionar com alguém que esteja ao nosso lado para o que der e vier, nesse caso quando o tal "o que der e vier" chegou nos pegou sem preparo, não acho exatamente que o fim se deu por esse motivo, acho inclusive que foi uma série de coisas, mas a mais importante delas é que eu não sentia mais. Como posso manter uma relação na qual eu não sinto mais?!?!?! Como posso abraçar, beijar e sonhar com alguém com a qual não tenho mais vontade de fazer nenhuma dessas coisas?

Ele se foi, acho que me odeia. Espero que passe, espero que o tempo cure a dor que ele sente e que possa me perdoar. Espero que entenda que não foi por mal, que meu carinho por ele ainda existe, só que é diferente. Há muito tempo que o que sinto é amizade e manter uma relação onde só existe amizade de uma das partes é muito ruim e é ruim para os dois!




Posso imaginar como ele está se sentindo e sei que é péssimo, mas não podia mais enganá-lo vivendo uma coisa que não sinto. Ele disse que é idiota, eu discordo, discordo que sofrer por amor seja idiotice, acho inclusive que é muito bom, sinal de que ainda estamos vivos e, apesar desse mundo tão frio e ruim, ainda temos algum sentimento. 


Nos responsabilizamos pelas pessoas sem que elas peçam por isso. Assumimos para nós, culpas que não são nossas... O fim de uma relação sempre será responsabilidade de ambos. Ao menos eu sei que fui honesta em não dar mais esperanças para algo que não existia, a sinceridade faz sofrer mas a mentira causa danos muitas vezes, irreparáveis. Se continuasse eu estaria sendo a mais egoísta das pessoas. Se pudesse fazê-lo me ouvir agora, só teria uma coisa à dizer: Desculpe-me, não pude evitar!











19.2.13

Ontem à noite.

"Amo como ama o amor.
 Não conheço nenhuma 
outra razão para amar
 senão amar.
Que queres que te diga,
 além de que te amo,
 se o que quero dizer-te
é que te amo?"

Fernando Pessoa

De novo.
O sorriso no rosto, as borboletas no estômago, a sensação de que pode ser que dê certo... de novo. É assim que tudo se desmantela outra vez. Quem precisa de montanha-russa se está apaixonado?! É um sobe e desce sem fim. Coisinha mais sem sentido a paixão!

Quero sempre ser eu mesma: tagarela e choronadedicada e manhosa, amiga e mãe, grudenta e desligada,  safada e romântica,  ciumenta e cúmplice. Sou tudo que posso ser, de bom e de ruim, sem medida, sem(-)vergonha.

Nada fica escondido e nem pode ser fingido quando se ama. Me passo, falo bobagem, gaguejo, fico insegura, sem palavras e ainda assim, não me arrependo de nada, tudo é espontâneo e verdadeiro. Sendo assim, como eu poderia rejeitar esse sentimento dentro de mim? Como eu poderia arrancar a única coisa boa de verdade que eu sinto? Mesmo sendo pouco é felicidade, a única que conheci.

Quantas vezes ensaiei tudo que eu queria dizer?! Nunca disse, escrevo poemas, cartas, me entrego, de corpo e alma, mas falar mesmo, que é bom, não falo. Não quero convencer ninguém, não quero conquistar. Eu só quero poder amar, enquanto o amor deixar, enquanto isso não o incomodar, enquanto eu puder fazer surgir um sorriso nos rosto de quem eu amo. o ruim é que chega a hora e parece que eu nunca vou me acostumar com isso, é muito ruim ter que lidar comigo mesma depois de tudo. Nervosa, triste, ofendida e magoada, tudo sem motivo aparente, é claro!

Às vezes é um pula-pula aqui dentro, um desarranjo, um bate-bate que parece que vou ter um ataque cardíaco ali mesmo, não sei como aguento - sou fumante, não posso ter esse tipo de emoção não, seu moço! Às vezes eu me esqueço aqui, por um bom tempo, até acordar e perceber que a vida continua e eu fiquei parada...

Eu não digo. Tenho medo de ouvir um 'não' e prometi que não chamaria mais pelo amor, apenas que ele sempre ouviria um sim, se e quando viesse. O jeito é escrever!

Não sei, depois de tudo isso, na verdade eu prefiro não alimentar essas esperanças, ficar na minha e deixar de nadar na maionese - detesto maionese! - Só não posso me trair, outra vez.





10.2.13

Dignidade, por favor.

"Vamos sair, mas não temos mais dinheiro
Os meus amigos todos estão procurando emprego
Voltamos a viver como há dez anos atrás
E a cada hora que passa
Envelhecemos dez semanas."

Teatro dos Vampiros
Legião Urbana



Tenho boas notícias: Tô trabalhando!
O que ainda me deixa triste é que meus "cúmplices" ainda estão desempregados.
Pode não parecer mas tô muito feliz... é que minha felicidade só fica completa de verdade quando aquelas e aqueles à quem amo também estão felizes...

Vamos às novidades: O trabalho é bom, o salário também, a equipe é divertida e a coordenadora é uma pessoa adorável. Agora posso dizer que tô feliz. Ter dinheiro é bom (claro!), mas o melhor mesmo é estar fazendo algo interessante e, finalmente, sair daquele tédio desorientador que só o desemprego é capaz de criar. Quando se está trabalhando, tem-se aquela sensação de ser útil e também podemos fazer planos perfeitamente realizáveis - o que é uma delícia, diga-se de passagem.

Eu adoro trabalhar, trabalho desde criança e se não fossem por alguns empregos ruins que tive e seus patrões sacanas eu teria passado a melhor parte da minha vida no trabalho. Não acho que trabalhar seja um castigo, como está escrito na Bíblia, acho, pelo contrário, que trabalhar é a mesma coisa que estar vivo, é o trabalho que nos dá a possibilidade de sonhar.


Quando falo sobre trabalho não estou falando exatamente do trabalho remunerado, mas do trabalho como toda intervenção produtiva da pessoa humana - a VEJA não sabe nada sobre pleonasmo. Produzir é importante e, mais que um prazer, é um dever. De que adianta ler um livro e daquela leitura nada ser produzido (nem um comentário de mesa de bar)? Interferir é algo que todas e todos podemos e devemos fazer. Quando converso com minha mãe,  quando lavo a louça na casa de uma amiga, quando coleto o lixo que alguém deixou na praia... Todo trabalho é digno e necessário. Até porque, mesmo que eu não produza, vou, inevitavelmente, continuar consumindo. É natural de um ser vivo, consumir, o que não é natural é consumir demasiadamente como o sistema nos impõe.


O mesmo sistema que nos priva do Trabalho Remunerado, o mesmo sistema que diminui as vagas para que cada um de nós precise se humilhar em troca de um salário, é o Sistema que nos constrange pelo fato de "ainda" estarmos desempregados. Como se a pessoa desempregada escolhesse estar nessa situação, conheço pessoas que se acomodaram realmente e se você, ao invés de julgar, tentar ouvir o que alguns tem à dizer, vai ouvir coisas bem coerentes. O que fazer quando sua família investiu na sua educação, deu à você oportunidades que outras pessoas não tiveram e, mesmo assim, você não consegue nada na sua área?! O que fazer quando a tua idade te impede de ocupar uma vaga na qual você tem décadas de experiência? O que fazer pra conseguir experiência quando você é jovem e tá cheio de curiosidade e energia mas ainda não tem qualificação?

É triste ter que parar de sonhar com coisinhas simples, fáceis de alcançar, só porque se está sem emprego. Fico pensando em como estão outras pessoas, jovens como eu, que estão numa situação de  desemprego ainda pior do que a que eu estava... Eu tinha algumas perspectivas, estava esperando por uma vaga melhor, podia ter ido atrás de qualquer emprego, mas estava esperando o que seria melhor pra mim. Pude escolher. Essa não é a realidade de milhões de pessoas que estão por aí, sentindo-se desamparadas.

Me sinto privilegiada.

Olho para algumas amigas e amigos e vejo a mesma expressão com a qual eu estava há dias atrás. A velha pergunta fica martelando a cabeça: Como pode ser lícito que poucos tenham tanto e tantos tenham tão pouco? Sabe o que querem esses jovens que me cercam? Trabalho. Querem trabalhar duro, querem contribuir, querem sonhar, se divertir, ajudar outras pessoas, querem morar só... querem começar a própria vida.

Mas o sistema não deixa.
E não deixa porque? Fácil.
Não se pode dar à todos o poder de compra, o poder de intervenção... Trabalho é independência, é um pouco de Liberdade. Se aqueles que detêm o poder compartilharem um pouco, uma migalha que seja desse poder... sabem que nada mais será igual, que quem viveu até agora com tão pouco pode fazer Revoluções com um pouco MAIS.

Dignidade é artigo que anda em falta, quem tinha mais moeda levou todas as peças... só não sabiam que este item não está à venda, é brinde. Prêmio dado à quem não se deixar derrotar.

Saudações de uma recém-contratada à todas as desempregadas e desempregados. Um brinde ao empreendedorismo de algumas pessoas, à fé de outras e à coragem daquelas que sobrevivem à toda a cobrança que a sociedade nos faz. As coisas vão melhorar!

À quem sobrevive, um brinde!

24.1.13

Feliz "Ano Bom"!

Olá, Feliz 2013!



Comecei o ano desse jeito: desempregada, desanimada e apaixonada.

Ah! Apesar de desempregada, estou menos pobre. Agora tenho computador novamente. Feliz!


Perturbada que sou, passei a primeira noite em claro, é claro! Brincando com o novo brinquedo, amanheci o dia escrevendo e tentando entrar na internet com o chip do celular – isso não é vida, definitivamente.

Como diria Jack, o estripador, vamos por partes. À aquelas e aqueles que ficam reclamando que eu posto muito raramente (isso é coisa de amigo. Amigo mal lê o blog, nunca comenta e ainda tem a cara-de-pau de reclamar que a gente não atualiza! É mole?! É por isso que gosto tanto dos meus amigos, não valem nada!) comunico que agora sou uma linda e ryca proprietária de um PC muito lindinho, que mais parece um Frankstein, não pelo aspecto, porque como disse antes, ele é lindo, mas pela forma como foi montado... a amiga me deu o gabinete, o irmão alguns componentes internos e o namorado todo o resto. Adoro esse povo!

Pois bem, andava triste de dar dó, toda chorosa pelos cantos porque, mais uma vez estava sem emprego, desde o ano passado (primeira experiência com o desemprego) que não emplaco um emprego bom de verdade.

Adoro trabalhar!

Quem não me conhece pode até achar que é mentira, mas eu adoro mesmo, nem vejo o tempo passar quando estou trabalhando, o problema é que só sei trabalhar com o que eu gosto, daí os empregos ficam um pouquinho mais restritos. Como é que a pessoa faz, para ir todos os dias à um lugar que detesta, fazer algo que detesta, com gente que detesta? Isso é insuportável, e olhe que eu não sou cheia de besteiras, gosto muito facilmente das coisas que faço, pra ter ideia, já fui babá, garçonete, bartender, cozinheira e secretária. No fundo, no fundo eu gosto mesmo é de dar aula, mas quando estou fazendo outra coisa que não seja lecionar procuro sempre algo interessante na nova experiência e me divirto muito, aliás ainda não descobri nada mais divertido na vida do que ficar atrás do balcão do seu bar preferido, bebendo, vendo todas as suas amigas e amigos e paquerando muuuuuuuuuito!

Nessa tristeza toda que é ficar sem trabalho e consequentemente sem grana (olhe que são coisas bem diferentes!) eu fui presenteada com o novo brinquedo do qual falei pra vocês. Agora tô aqui, feliz porque vou poder estudar – também adoro estudar, eu acho inclusive, que deveriam me pagar um bom dinheiro só para que eu ficasse estudando, sou ótima aluna! - se tem uma coisa que me deixa arrasada é não poder estudar e pra quem mora só, estudar é luxo. Não tenho grana e isso já faz parte da minha vida, me acostumei com esse negócio, nasci assim, lá em casa todo mundo é liso e pronto. Relaxar é fundamental, mas como é que se pode relaxar quando se tem tantos sonhos quanto eu?! Fica difícil, né?! Quem manda sonhar?!

O ano passado fiquei sem grana um tempão, trabalhei eu vários lugares e o que ganhei foi raiva, salário que é bom, nada! Uma maré de azar, propriamente dita. As finanças foram por água abaixo e pude saber como é difícil ir dormir sem saber como será o dia seguinte... É tenso.

Quero estudar, trabalhar e viajar muito, além disso tenho que ajudar minha mãe e minha casa tá muito caidinha, precisando de verdade de uma reforma urgente... Ando assim, muito prática, pensando nas coisas materiais o tempo todo, deixando de lado um pouco esse dramalhão que eu faço com meus sentimentos e a confusão que sempre se torna o assunto paixão. Adoro falar de amor, mas não aguento mais chorar pelo que não tem jeito, aprendi faz tempo: O que não tem remédio, remediado está!

Ainda tô todinha aqui, igualzinha. Morrendo de amor e pedindo à deusa pra não magoar ninguém com esse amor-sem-futuro que teima em não me deixar em paz. Agora, bem pertinho do fim do mês, posso garantir que a sensação do reveillòn continua a mesma: tem coisa muito boa vindo. Tô sentindo mesmo e minha intuição nunca falha! Tô feliz, apesar de lisa, dura e sem grana. Tô com aquela esperança típica – minha cara – aquela esperança que não tem nem motivo, mas que é maior que tudo e que todo o mundo, aquela esperança de que, finalmente, as coisa estão começando a melhorar.

Para os que de alguma forma estão ligados a mim eu desejo que 2013 seja muito bom mesmo e o desejo maior é que eu e vocês possamos nos lembrar de que isso tudo é só uma data, apenas uma convenção. Nosso tempo deve ser aproveitado da melhor maneira possível, a virada de ano é só mais um segundo que já passou, nada muda realmente na vida das pessoas, a não ser elas mesmas... eu tô mudando. Tô aprendendo a ficar feliz sem motivo.

Um beijo bem grande para todas e todos.

P.S.: Ah! Depois eu conto como foi a festa da virada. Adoro Reveillòn! ;) 




4.12.12

De quando perdemos


"Eu que já não sou assim
muito de ganhar,
junto as mãos ao meu redor
Faço o melhor que sou capaz
só pra viver em paz."

Los Hermanos




Perder é difícil, mas a lógica é aceitar.


Eu perco coisas o tempo inteiro, perco a hora de chegar ao trabalho, perco o trabalho porque perdi a hora, perco o ônibus que tá mais vazio, perco o guarda-chuva no ônibus lotado que peguei porque perdi o ônibus vazio, perco a paciência porque perdi as chaves dentro da bolsa, perco o chão quando vejo quem amo, perco quem amo...

Nem sempre acreditamos que foi isso mesmo que aconteceu, tentamos e insistimos novamente, só que mais cedo ou mais tarde nos daremos conta de que já foi, já era... Ao menos é assim que funciona comigo.

Quando algo se perde, eu esqueço.



Imagine se ficássemos lembrando e reclamando de cada guarda-chuva perdido ou se fossemos chorar e espernear cada vez que perdêssemos o ônibus! Vasculhar a casa sem parar procurando as chaves, se deprimir pelo amor que não existe mais, tentar inutilmente reconstruir uma amizade falida. Reclamar da barriguinha que perdeu, ninguém reclama!

As coisas se perdem, acabam... são finitas, assim como nós.



Já perdi muita coisa na vida mas nada é pior do que saber de uma amizade perdida nesse limbo da indiferença, sou inocente da indiferença, quando me chateio com alguém sinto tudo menos indiferença, sou raivosa, vingativa, rancorosa. Intensa em tudo, apesar de amar muito, detesto com a mesma intensidade que amo, ainda bem que sou de poucos inimigos... escorpiana que sou, teria trabalho demais!

Dia desses perdi um brinco que adoro [sou louca por brincos!], pronto. Foi o suficiente pra me deixar perturbada o suficiente para refazer meus passos e voltar ao lugar onde dormi, revirar a cama de alguém, e tudo por conta de um brinco [que eu não achei, é claro!]. É simples: perdi.


O problema é que nem todo mundo entende isso e quando o que se perde é uma relação pessoal, tudo se configura com cores mais fortes. Emily Dickson disse algo assim: Meus amigos, meu tesouro. Eu completo: Alguns, ouro de tolo. Evito ao máximo desfazer minhas amizades, tenho algumas que estão comigo por mais da metade da minha vida, já outras não vejo com tanta frequência  mas quando encontro, é uma festa! Algumas poucas e raras pessoas eu fiz questão de excluir da minha vida e dos meus contatos, sou adulta o suficiente para perceber que um relacionamento vai dar problema, o chato disso é a pressão exercida por pessoas que não sabem conviver com quem é decidida ou decidido. As pessoas estranham e afirmam que ninguém pode ser assim como eu sou. Não é que eu nunca volte atrás, é só que quando eu decido me afastar de alguém eu, anteriormente, já tentei de várias formas conviver, avisei e alertei dos problemas quando surgiram e também quando começaram a crescer, levo tempo pra dar um ponto final na coisas, mas quando resolvo fazer, é muito sério e não volta mesmo.


Existe muita tranquilidade em quem costuma pressionar outras pessoas. Detesto ser pressionada. Ainda mais quando a pressão se faz no sentido de aceitar uma situação insuportável como a de conviver com quem nem se quer avistar pela rua. Quem exerce pressão é pra pra mim a personificação da violência, descarto gente violenta.


Sempre vejo notícias de pessoas que, por não aceitar o fim da relação, assassinaram sua parceira ou parceiro, em geral quando isso começa a acontecer, já foram muitas idas e vindas, promessas de "mudar" e outras mentirinhas... tragédia anunciada. Se digo que não quero é porque realmente não quero, não faço charme, não quero que insistam, quero simplesmente me sentir livre de alguém me olhando e dizendo que mudou, que vai me provar o quanto está diferente. Não confio em gente que [diz que] muda, tenho passado a vida inteira tentando mudar certos aspectos da minha personalidade e o progresso que fiz é vergonhoso, como é possível que alguém mude de uma hora pra outra, só pra recuperar algo ou alguém?!



Pessoa que dizem que mudaram tão depressa, estão na melhor das hipóteses, se controlando - pra não dizer fingindo.
Não confio e pronto. Não adianta forçar, não adianta drama. É a MINHA vida e EU escolho com quero conviver. Como algumas amigas e amigos costumam dizer: Perdeu, playboy! Não que eu nunca tenha perdido, já perdi sim, perdi muitas vezes, tantas que perdi também a conta. Só há uma diferença, eu não acho "que perder é ser menor na vida", perder é parte da vida, e quando se refere à alguém, aí mesmo é que não perdi, não posso perder o que não possuo.


Não possuo pessoas, nem as quero possuir. Se alguém não me quer por perto, vou ficar triste, é claro, mas não vou obrigá-la a conviver com a minha presença. Já tive gente insuportável que dividiu comigo o mesmo espaço de trabalho, o negócio nessas horas é ser o mais profissional possível, ser gentil é fundamental, daí a ser amiga ou amigo de novo é outra conversa... É preciso compreender quando não cabemos mais em uma situação e também quando há pessoas forçando a barra, dizer não nem sempre é o suficiente, mas uma conversa bem franca pode ajudar.



Dizer o que se sente é importante, deixar claro para as outras pessoas que elas são ou estão sendo inconvenientes naquele momento de nossas vidas é a atitude mais honesta a se tomar. E dizer o que há pra dizer: Perdeu. Simples assim!



Nem sempre quando uma relação acaba, acaba também o amor, muitas vezes fica uma saudade enorme dos bons momentos vividos, mas a gente sempre sabe quando algo não vai dar certo, e pra que insistir em algo que não tem pra onde ir além do conflito?! Por isso é bom entender que quando alguém se afasta da gente pode ser porque quer bem ainda, quer pelo menos evitar que o estranhamento aumente e chegue ao ponto da raiva e do incômodo. A pessoa que gosta, gosta sempre [ou por muito tempo] mas não é necessariamente obrigada à viver colada à outra, pode ajudar e apoiar ainda que de longe.



O que não deu, já deu. Já era. Acabou. Se foi bom, ótimo. Se não, melhor que tenha acabado. É sempre tempo de recomeçar, mas se é pra dar início à algo prefiro que seja um começo e não um recomeço. Novos ares, novos bares e novos mares nos esperam, vou alí dar um mergulho e volto já... ou não!





"Olha lá quem acha que perder
é ser menor na vida

Olha lá quem sempre quer vitória

e perde a glória de chorar 



Eu que já não quero mais ser um vencedor,

levo a vida devagar pra não faltar amor"
Los Hermanos


















3.12.12

Passando um café...




"A amizade é semelhante a um bom café;
uma vez frio, não se aquece
sem perder bastante do primeiro sabor."

Immanuel Kant






Às vezes não sei dizer de coisas que sinto, tudo é sempre muito confuso na minha cabeça, nunca tive um sentimento simples ou tranquilo, tudo é sempre intenso e  confuso. No fundo, bem no fundo, gosto, (e muito!) de ser assim. É meu jeito mesmo e acho vou continuar nessas loucuras por toda a vida.

Este post foi escrito pra mim, em outro tempo. Ainda fico encantada quando  leio...



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[GUEST POST]

# Café Requentado

12:00 am – 09:15 am

Hoje tem babado na Periferia! Assuntos triviais, corre-corre de cadela, ‘piléras’ de baixo calão, desabafos de sóbriedade, a peculiaridade dos ‘bordões’, as velhas piadas internas… hoje tem!

As conversas se misturam, saltitam e se re-encontram tão rapidamente quanto a nossa capacidade de termina-las, isso se vira-e-meche as gargalhadas que ecoam a madrugada nos deixarem.

O som xing-ling baixinho com seu botão quebrado e controle sem pilha, trilha nossa trilha sonora diária constantemente esquecida, e quando lembrada motivo de desacordo gratuito, gratuitamente re-esquecido após 15minutos.
A mão habilidosa trabalha por entre o correr do papo e o papo se aperta por entre os dedos do finalmente fumo aceso.



E o olhar que precede o mais convidativo dos pedidos.
As vezes eu penso em dizer-lhe o quão previsível é o comentário que virá em seguida, e que sutileza não é lá seu forte.
Prefiro que o faça:

E sempre vou preferir,

ao final das contas estarei ansiosa para dar-lhe a mesma resposta de sempre, como quem nega ter pensado o mesmo, perdendo a oportunidade de perdir primeiro, e em seguida o mesmo olhar ao ve-la requentar o café no maldito microondas, levantar-me e preparar um novo.

Agora me pego ‘naquela‘:

Não sei nem oque estou fazendo aqui perdendo meu tempo.

Afinal de contas…



Hoje tem babado na periferia, sofá amarelo e café requentado.



In: http://sofamarelo.wordpress.com/cafe-requentado/


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Cansei de sempre tentar e tentar e, no final, não ver nenhum resultado que seja bom pra mim. Sempre cuidando dos outros... nunca de mim.

Cansei mesmo.
Mesmo assim, sinto muito por ser assim como sou, sinto muito por não poder esquecer as mágoas, às vezes queria mesmo poder apagar certas coisas da memória (algumas que eu mesma inventei) e recomeçar. 
Recomeçar é sempre muito difícil pra mim, porque estou sempre recomeçando e isso cansa. Mas o que eu queria dizer é que sinto muito por tudo estar assim, tão distante e tão diferente. Vc tem razão, as coisas não deveriam estar assim, mas se quiser mesmo o que me disse que queria, espere meu tempo, se quiser e se puder (como me disseram uma vez). 


Eu continuo aqui, no mesmo lugar.


Ah! Eu não requento mais o café. Obrigada!

Café novinho pra nós duas.





"Pode ser que um dia nos afastemos...
Mas, se formos amigos de verdade,
A amizade nos reaproximará."
Albert Einstein



1.12.12

Desengano






Olá Poeta,

Já faz um tempo que não te escrevo... Talvez um ano ou mais. Andei às tontas, andei perdida, de novo. Andei, andei... andei muito!

Andei do Marco Zero até a UFPE, só pra me [te] encontrar, percorri a Caxangá como quem dá um passeio pela manhã, mas com aquela certeza de que havia algo errado e que só a solidão e o cansaço poderiam me curar, às vezes eu preciso estar só para poder me [te] encontrar ou, pelo menos, continuar acreditando...

Sinto sua falta. Diariamente me confronto com a falta de fé.
Tentando ser feliz, às vezes acho que não vai dar. Não sem você.

Vejo rosto que cruzam comigo pelos caminhos que sigo, e não vejo ninguém. Prometi a mim que ficaria bem para estar pronta quando a verdadeira felicidade se fizer real, neste tempo ou em outro. Às vezes acho que não vai consigo... me perdoe.

Outra vez triste, novamente melancólica. Sou a dor de um amor que só existe em mim.


Com todo meu amor.







14.10.12

(Re)Corte de Machado

"Dedico essas linhas
às bocas que irão morder
minha pele quente."

Eu, num (re)corte de Machado
em triângulos desconcertantes.






Resignação.
Foi essa a palavra que me veio na hora! “Eu sou a cara da resignação!”.

...

Re.sig.na.ção sf. 1. Ato ou efeito de resignar
(-se). 2. Paciência com os sofrimentos, as
injustiças, etc. [Pl.: -ções]

...

Conheço o significado da palavra, mas na hora veio tão espontâneo que fui procurar no dicionário pra ver qual é a dessa palavra intrometida que me invade a cabeça bem na hora da despedida. Enfim, a palavra chegou e ficou, essa invasora. O que se deu depois, qualquer um já sabe como é, aquela palavra engasgada na garganta, que nem o vinho é capaz de fazer descer. Resignação é isso. Odeio me resignar. Detesto aceitar quando as coisas não vão bem ou que eu não posso fazer nada para melhorar.

Os amores não-correspondidos são para muita gente um enorme poço de resignação, falo dos amores não-correspondidos mesmo. Daqueles que jamais serão reais, dos sem-esperanças, daqueles que a gente olha pros olhos do ser amado e vê gratidão por alguém ter tanto amor por ele, amizade como prêmio de consolação, enfado, por estar sempre levando o peso de não corresponder à algo bom e de saber que alguém sofre por ele, e talvez, pena; pena do desperdício de energia de alguém que poderia ser tão feliz se “saísse dessa”. Esses amores não-correspondidos, esses “sem-jeito”, são exatamente aqueles em que a resignação é o sentimento mais digno. De que outra forma seria? Espernear, fazer biquinho, chorar?

Resignar é aceitar, aceitar é parte da minha ideia de amor. Se não aceito, se não convivo com coisas que são inatas não posso amar. Há coisas em mim e em outros que não poderão ser mudadas e/ou melhoradas, há certos traços de personalidade que são nossos. Pronto. Só posso amar a partir do momento em que compreendo isso, se sei, e ainda assim, amo e quero compartilhar então “vamos viver que a vida é curta e a felicidade breve!”. Só assim. Só assim é possível amar. E ser amado.

A palavra tomou conta de mim e, assim como na mente doente de Brás Cubas uma ideia fez de seus neurônios trampolim, na minha, uma palavra (uma reles palavra) se fez rainha e resolveu, à seu próprio gosto, mudar as cores das rosas. Essa Rainha de Copas, a Resignação, palavrinha irritante e com manias de grandeza, em alguns passeios noturnos por esses jardins, decidiu reorganizar sonhos e pesadelos, planos, projetos e os muitos futuros possíveis.

O triângulo acabou e entre nós não há mais um ângulo sequer, paralelas. Proporcionalmente distantes.

O tormento que uma palavra pode nos causar é algo perturbador. O que essa ditadora não sabia, é que já passei por todas as portas, fui grande e fiquei pequena, sentei à mesa para um chá entre os loucos e à noite vi sorrisos de meia-lua no céu. Agora estou mais forte. Do País das Maravilhas, trouxe as Chaves do Tamanho e um pouco de chá para os dias ruins. Depois de tudo passado, um coração ansioso e apaixonado bate com mais força que outros. Resignar-se não será (nunca mais!) uma das minhas opções, e quando não há opções dignas, eu as invento.

Nem fiel solitária, nem louca desesperada. Mas sempre apaixonada, livre.

"Diga a verdade 
ao menos uma vez na vida
(...)
Não fique pela metade
Vá em frente minha amiga
(...)
Destrua a razão
desse beco sem-saída
(...)
Somos os que há de melhor.
Somos o que dá pra fazer,
o que não dá pra evitar
e não se pode escolher."



Engenheiros do Hawaii, "3X4".


5.10.12

Minha flor, meu bebê...



"Gosto muito de te ver leãozinho..."
Caetano Veloso



Tem gente, na vida da gente, que nos faz sentir mais gente.
Tem gente, na vida da gente, que faz todas as outras gentes parecerem tão pouco gente!


Lembro de poucas coisas de quando ela ainda não fazia parte da minha vida, lembro também da falta que ela faz quando vive sua própria vida e me deixa viver a minha... sou tão pouquinho sem ela e quando ela não está aqui meu mundo fica menor, sem graça e sem jeito.

 Minha mãe diz que eu a "criei" mas eu sei, (só não conto pra ela!)  que foi ela quem me criou... Ela me inventou assim como sou. Lembro que quando ela chegou eu deixei de ser tão importante para mim mesma e ela passou a ser tudo, lembro de enfrentar os gigantes para protegê la e de prometer que nada do que aconteceu comigo aconteceria com ela, eu a levava para todos os lugares e queria mostrar o mundo à ela. O que eu não sabia é que o mundo já era dela...


Ela veio alegrá-lo e deixá-lo ainda mais bonito, ela chegou e foi nos ensinando o amor, esse amor do qual ouvíamos falar mas nunca havíamos visto, esse amor do qual ela já parecia ter uma prática incrível, parecia já saber amar tudo e todos, fazia o amor se multiplicar com a facilidade que o vento tem em espalhar meus papéis cheios de palavras pra ela que nunca entreguei, eu a amo tanto que nunca consegui entregar nada que escrevi pra ela.



Ela é uma boba que me escreve e chora quando lê eu sou outra boba que não sei lidar com o amor que tenho por ela. Ela é a única pessoa do mundo com quem eu brigo, grito, xingo e fico amuada, tudo pela certeza de que ela me ama. Não há ninguém no mundo da qual eu tenha tanta certeza do amor, só dela eu cobro e exijo atenção, carinho e chamego  só dela! Os outros... Ahhh! Os outros não me conhecem como ela... os outros não sabem de nada! Ela não, ela me conhece inteirinha e, por incrível que pareça, ela ainda me ama!



Lembro perfeitamente do dia que a vi e percebi que ela já era uma mulher, lembro da aflição que senti ao ver aquela mulher linda vindo em minha direção, aquela mulher forte, inteligente e que tem o dom de deixar minha vida mais leve e feliz, aquela mulher cheia de planos, projetos, amigos e amores, aquela mulher que é tudo que eu sempre quis ser. Fiquei feliz e com medo, porque antes ela era minha e hoje eu sou dela.


Senti medo porque às vezes, ela parece uma pessoa inteiramente nova e me assusto e não sei mais quem é essa menina, sinto medo porque às vezes percebo que ela faz umas escolhas que fiz, boas escolhas, mas não quero que ela seja eu, ela já é maravilhosa e quero que continue sendo assim, autêntica!



Eu a vejo ouvindo as músicas que eu ouvia, vestindo roupas que eu vestia, lendo o que eu lia e tenho medo, tenho medo que esse exemplo que ela segue, o meu, não a faça feliz. Se de muitas formas tentei influenciá-la para o que eu achava que era o melhor, hoje tenho medo de decepcioná-la, mas também sei que ela tem que ser o que ELA quiser ser e não o que eu achar que é melhor pra ela.



Hoje o que mais me faz sentir falta de lá é vê-la andando pela casa, comendo besteira, falando sem parar, arranhando o violino ou se enfeitando toda pra quando o namorado chegar. O que mais sinto falta nela é dela todinha, de chorar em seu colo e pedir seus conselhos inocentes de menina, de quem ainda não experimentou dor alguma, de quem tá cheia de uma esperança inata, que acredita na vida e no amor.




Menina linda, que eu vi chegar, no colo da minha mãe, menina que tirou de mim a certeza de ser só, que veio cheia de beijinhos ensinar que amor é bom e fácil. Uma mulher intensa e forte, que sabe o que quer e não desiste até conseguir...







“Sem pensar em mais nada,
 fecho os olhos para esquecer.
Dorme, menina,

repito no escuro,
o sono também salva.
Ou adia."
Caio Fernando Abreu











2.10.12

Transbordando...


Só dessa vez. Só por hoje...

Hoje ouvi falar de traição e ouvi falar de lealdade.

Sem escolhas à fazer, sem caminhos à seguir, minha vida continua a mesma: um dia de cada vez. O conselho então seria "Carpe Diem"? Pois bem, aquele momento era meu, de mais ninguém e quis aproveitá-lo. Só isso.

Quem dera fosse só isso! Há coisas que se quebram e não se pode consertar, há outras que não se pode evitar. Evitei (tentei e falhei), fugi do que realmente queria, mas nosso inconsciente é traiçoeiro e faz o que bem quer da gente e mesmo que eu mudasse para os Andes, ainda assim daria um jeito de chegar mais perto, porque isso não é uma vontade, é necessidade.

Me sentindo uma cretina, a pior das pessoas, a mais vil e ainda assim há em mim uma sensação que dispensa palavras e me faz esquecer do que não quero lembrar, há algo que vai exigir de mim palavras, muitas delas... o reencontro, o momento exato em que precisarei do pouco de consciência que me resta.

Que tipo de gente eu sou?

Ouvi cada palavra, menos a minha. Ando sempre ocupada com a felicidade alheia, por isso é tão difícil ser feliz; que ninguém se engane, não sou altruísta, apenas gosto de estar rodeada de gente que ri de vez em quando e se eu puder fazer algo por isso, sempre vou fazer. A coisa mais linda da vida é o sorriso no rosto de quem a gente ama (faz muito bem pra gente!).

Egoísta.

Já a culpa é um sentimento ruim e feio que só existe para impedir que as pessoas sejam felizes. Só que nesse caso, não funciona assim. A culpa se encaixa perfeitamente e é o sentimento perfeito para corroer consciências e destruir o que encontrar de bom pelo caminho de quem é irresponsável. Me sinto culpada, fui imprudente com os sentimentos alheios, logo eu que sempre estou cuidando de todo mundo! Descuidei de mim e, de tabela, saí machucando quem não merecia.

O que me inquieta mais do que a lágrima que vi naquele rosto é o sorriso que vi em outro, parecia com o meu, mas só parecia. Eu estava feliz, de verdade. Como à muito tempo não ficava. Depois dos últimos dias tudo ficou tão triste, a graça se perdeu no momento em que tomei algumas decisões que tiraram de mim mais um pouquinho dos meus sonhos e quando penso que perdi de todo, a vida me dá um prêmio de consolação sem comparação. Me dei o direito de ser feliz por algumas horas, só pra saber como é e aqui entre nós, ser feliz é muito bom!

Me sinto mal por que sabem de mim, dos meus segredos. Culpada por estar feliz apesar da tristeza alheia, culpada de ser assim como sou e por não querer nada demais, culpada por só querer isso: A liberdade de poder amar, a liberdade de não precisar me esconder, porque amor não deveria ser proibido, mesmo o "amor não-correspondido", se quem amo me tem amizade, deixa assim, deixa ser o que puder ser. O que não pode é transbordar assim.

Amor é bom, liberdade ainda mais.

Ser adulto é ruim porque a gente aprende que nossa felicidade só pode se concretizar em coexistência com a felicidade dos que estão próximos, ninguém é feliz se magoa outros. Sou adulta desde muito tempo, ando cansada. Tentei desse meu jeito "afastar pra não machucar", mas não consegui, machuquei mesmo, pesado mas não, planejado. De vez em quando a vida resolve umas coisas que a gente não consegue. Não acredito em coincidência.

Tentei escrever uma história com as tintas que sobraram de outra, não funciona, agora tá tudo manchado e não tem muito pra recomeçar. A vida não tem borracha e se tivesse, o que eu faria? Como disse por aqui em outra vez, "na dúvida, não faça!". Por pior que possa parecer, naquele momento não tive dúvida alguma.

Corpo e alma.

 "Me sinto tão só.
E dizem que a solidão
até que me cai bem."
 Renato Russo