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4.2.19

Zé Mané

Vc q xinga velha
bate em criança
vc q ameaça
disfarça e passa
de pessoa de bem.
Pois bem, mané
ao contrário do Sistema
(Tô ligada no esquema)
comigo a parada outra
eu não esqueço
Se encontro, arranco
a Justiça q mereço.

16.1.14

Rolêzinho Alienado



Detesto Xópim e algumas "Lutas" são, no mínimo, curiosas.

Não é de hoje que a sociedade civil anda questionando as posturas dos Centros Comerciais, conhecidos popularmente aqui na Colônia como "Shoppings". Um centro comercial é um centro comercial e só. Não é uma área de convivência.

Nunca entendi a motivação de algumas pessoas em ir passear no "Xópim", "ver as lojas", etc... As "Praças de Alimentação" destes estabelecimentos parecem verdadeiras cocheiras onde um monte de animais da espécie humana, comem uma comida ruim e artificial como o próprio ambiente, enquanto fazem, em uníssono, um barulho indigesto e ensurdecedor. Toda essa "diversão" acontece depois de longos passeios por infinitos corredores com iluminação artificial, plantas artificias e gente artificial. Quando podem, compram. As compras são, em geral, produtos feitos por escravos cearenses, bolivianos, chineses... produtos que custam R$ 0,89 mas que o consumidor final paga R$ 200,00, porque o adquiriu dentro de um "Xópim", para piorar ainda repetem a clássica frase: "É de marca!". Que bom...

A colônia e os colonizados continuam desejando ser patrão, ser opressor. Continuam achando que "melhorar de vida" é poder passear no Xópim e ter IPhone. Me disseram que "quando a favela descer os poderosos vão tremer", pena é que a alienação é geral. A favela quer mesmo é subir, quer ser igual à elas e eles, esses aí, os que nunca sentiram frio, os que não sabem o que é não ter um pão dentro de casa, os que estão "acostumados com sucrilhos no prato". Não sou dessas. Não sou de Xópim.

Não me envergonho de ser pobre. Cresci no Bairro São José, às margens. Às margens do Rio Jaguaribe, às margens do Xópim, às margens da sociedade... A padaria mais próxima era a das Lojas Americanas, dentro do Xópim. O segurança olhava a menina da favela, de sandália havaiana (no tempo que sandália havaiana era coisa de favelado, hoje é coisa de Xópim), cabelo pixaim e fazia o que mandavam: seguia. Todos os dias. Ele sabia que eu ia comprar pão, mas sempre me seguia, era a norma do Xópim: Seguir os favelados.

Certo dia fui comprar pão no Xópim e vi, no saguão, uma enorme maquete de como ficaria aquele empreendimento depois de uma grande reforma, nem mesmo prestei atenção no prédio da maquete, a única coisa que me chamou a atenção foi que, ao lado da maquete do Manaíra Shopping havia apenas um rio (limpo!) e um vale. O bairro São José, meu lar, não estava na maquete e nunca estaria, nós éramos a sujeira, éramos os indesejados, não fazíamos parte da cidade. Eu era criança e nunca mais entrei no Xópim. Passei mais de 10 anos da minha vida evitando aquele lugar. Evitando aquela humilhação.

Eu não preciso do Xópim, nem pra dar um "Rolezinho". 

Algumas amigas, ávidas por uma oportunidade de emprego, foram até lá, de currículo na mão e coração cheio de esperança pois, como eram vizinhas acreditavam ter mais chance, até porque o empregador economizaria com passagem. Lêdo engano. Eles não contratavam favelados. Mas isso era naquela época! Hoje tem favelado trabalhando no Xópim, "o Sistema dá oportunidade à todas as pessoas", é só querer! Podemos ser faxineiros, cozinheiros e até seguranças! É um privilégio...

Os "lelekes", são pobres como eu e tem, em sua maioria, cabelo pixaim como o meu, e, assim como eu, não tem grana na carteira. Querem dar um Rolêzinho porque as cidades esqueceram deles, fizeram planos e simplesmente os apagaram da paisagem. Eles não estão lá. O Xópim não os quer lá.

Tudo isso é muito previsível o que não é previsível e também é quase intragável é uma sociedade se organizar para debater a liberdade de acesso aos Xópins.

Que se danem os Xópins e seus empresários. Seu lucro e sua exploração. Eu não quero ir ao Xópim porque lá é uma grande senzala onde comerciários trabalham até 12 horas/dia, onde ricos-ladrões vão para esbanjar sua grana e preencher os vazio de suas almas e onde a classe mérdia compra status social parcelado em 12 vezes sem juros.

A colônia Brasil mantém um apartheid obsceno e enrustido, vergonha para qualquer nação, mas confesso que não estou disposta entrar no front de batalha para ter direito à entrada no Xópim. 

Quero ter direito à Praças, Centros Culturais e Esportivos, Teatros, Cinemas e Bibliotecas.

Os Centros Comerciais precisam de regularização, ponto. Não é possível que estes ambientes estejam acima de tudo e de todos e que possam fazer dalí um covil de discriminadores, racistas e homofóbicos. É preciso exigir que estes estabelecimentos tenham responsabilidade social e comprometimento com o bem estar de seus frequentadores, como por exemplo a obrigatoriedade de montar um pronto-socorro para evitar episódios como o do cliente que, vítima de um AVC, foi jogado na calçada do Manaíra Xópim, enquanto esperava o SAMU chegar e morreu.

Quero ser tratada como gente. Gente de verdade, que sente e pensa. Meu valor para o mundo não está no que visto ou consumo mas em minhas atitudes, pensamentos e sentimentos. Sou muito mais do que uma marca. Sou favelada e sei o que é sofrer, sorrir e viver de verdade, não preciso de Xópim.

***
Sinto saudade dos cinemas no Centro da cidade...







7.1.14

Feliz Ano Bom!

[ou Da Política que queremos]



Começamos o período de 2014.
Meu desejo é o de um ano de muito aprendizado e fortalecimento de valores.
Parafraseando Caetano, pergunto à vocês "O que quer, o que pode esta Juventude?"
Que Política queremos?
Por diversas vezes estive à sós com algumas das pessoas que colaboram no mesmo agrupamento político que eu e perguntei-lhes sobre seus sonhos e objetivos, boa parte não soube o que responder.
É muito triste quando se percebe o quão perdida está a Juventude de um país e, a partir disso, se percebe o porque de uma nação como o Brasil estar tão entregue aos desmandos dos politiqueiros de plantão. A Juventude brasileira vive um momento curioso, as "Revoluções de Junho" e os "coxinhas" mostraram o que já sabíamos: questionamos o que não conhecemos, mais uma vez somos feitos de "massa de manobra", mais uma vez somos apenas números.
O que queremos? Empregos na Administração Pública? Liberação financiada por parlamentares-de-rabo-preso? O que queremos afinal?
Eu sei o que quero. Quero construir dentro de mim valores morais e políticos que me ajudem à entender e a contribuir com o meu país e com o mundo em que vivo. Sou pobre e não tenho vergonha disso, preciso de emprego e de salário, como a grande parte de nós, tenho apenas alguns fins-de-semana e, talvez algumas noites para dedicar à Política, mas não à essa política partidária, estéril e frígida, na qual estamos imersos até o pescoço.
Quero a Política, aquela que pensa a Pólis, aquela que quer mudar o mundo e fazer dele um lugar melhor pra se viver.
Sei também o que NÃO quero: Não quero Atas manipuladas para "tentar driblar o sistema", não quero acordo, não quero aliança, não quero politicagem. Perdoem se pareço reacionária, não falo assim porque me acho melhor que as outras pessoas, apenas por um ponto de vista estratégico que me fez perceber, que este caminho "escolhido" por nós, não agregou em nada! Só fez de nós MAIS DO MESMO.
Quero MAIS! Quero fazer da minha militância como aprendi quando adolescente, com o exemplo do próprio Partidos das Trabalhadoras e Trabalhadores, quero conhecer minha comunidade, a menina da padaria, o rapaz do posto de saúde, a tia da tapioca... Quero saber quem é o povo pelo qual eu "digo" que luto. Seus sonhos e suas dificuldades.
O pouco que dou é muito mais do que muita gente já sonhou em oferecer. Não preciso estragar minha vida, passar fome ou andar quilômetros à pé para fazer Política, o que faria sem reclamar se realmente fosse preciso. Estou cansada dessa visão romântica de militância, isso não é e nunca foi verdade.
Preciso me formar antes de sair por aí falando bobagem, preciso conhecer e conviver com meus pares e, principalmente, entender que militância é uma obrigação que tenho comigo mesma, por minha consciência.
Quando denuncio uma violência contra uma mulher, contra uma criança ou um animal estou fazendo política, quando me informo sobre o que acontece, estou fazendo Política. Quando me importo com as outras pessoas estou sendo, também, uma pessoa política.
Estratégias alinhadas, reconhecimento, espaço... Isso tudo é uma grande, uma enorme, uma tremenda bobagem! Não teremos isso, nada disso. Ninguém que se importe com um pobre terá espaço ou reconhecimento e a única estratégia válida é a de ser sincero.
Quem de vocês se importa?
Quem de vocês tem alguma preocupação com algo além do próprio umbigo?
Se houver algum entre nós que pense também no outro, além de si, estaremos no lucro e poderemos fazer grandes coisas. Só não espero (e nem desejo) que estas grandes coisas sejam nomes em executivas, grana no bolso ou status social.
Podemos fazer coisas bem mais importantes e são muitas!
Não abandonei o MAIS e nem pretendo, pouco importa o nome, para mim, onde eu estiver, estarei fazendo Política, pq isso faz parte de quem eu sou.
Se algum de vocês faz parte da Pólis e se importa com ela vamos nos encontrar e ver o que queremos e o que podemos fazer por nós mesmos e por nossas concidadãs e concidadãos.
O meu grande desejo para 2014 é que cada uma de nós descubra para quê veio.
Eu não vim até aqui à toa, e vc?
Você se importa?

22.6.13

Os lobos uivam... Sedentos.

"Não podem existir os apenas homens,
estranhos à cidade.
Quem verdadeiramente vive
não pode deixar de ser cidadão,
e partidário.
Indiferença é abulia,
parasitismo, covardia,
não é vida.
Por isso odeio os indiferentes.
Vivo, sou militante.
Por isso odeio quem não toma partido,
odeio os indiferentes."

in "Os indiferentes", Antônio Gramsci.


Focada em outras coisas e num momento muito corrido da minha vida vi, apenas de longe, o desenrolar deste movimento que se espalhou pelo país nas últimas semanas. Ausente, fui absorvendo de leve e entendendo aos poucos esse "movimento", confesso que a desconfiança sempre esteve aqui, mas que não dei tanta importância a isto pq sou naturalmente desconfiada.


Fui chamada de conformista por uma menina de 20 anos, nem isso me estimulou. A empolgação não chegou embora soubéssemos que era preciso estar lá, ainda que para, depois, voltar para casa sentindo um peso na alma... Vi companheiras e companheiros se empolgarem, dedicarem-se a mais um movimento que, na minha opinião, não é autêntico. Eu tinha que estar lá...

Caminhei entre Reacionários. Senti-me hostilizada, não pela polícia mas pela alienação verborrágica de muitas pessoas ali presentes, pela fugacidade e oportunismo permeados em cada poro, em cada mente vazia e manipulada, infiltrada entre nós. Defensores da vida e da família se fizeram presentes, com seus ameaçadores cartazes chamando-nos ao arrependimento(?!). Havia muitas pessoas ali realmente querendo algo sério e politizado, querendo contribuir, mas boa parte queriam mesmo uma foto, um registro, outros  tantos queriam um golpe...



Ouvi dizer que acordaram um Gigante e tive muito, muito medo. Quem será esta Besta assustadora que dormia? Sei que não era o povo brasileiro, não somos preguiçosos e inúteis como dizem os poderosos. O povo brasileiro (o que eu conheço) acorda cedo, trabalha muito e, quando tem internet, não tem muito tempo pra rede social.

Não aguento mais movimentos importados...
Vi até uma FEMEN na manifestação, com aquela guirlanda na cabeça e tudo, mas tava vestida. "Primavera Árabe" aqui seria o quê? "Inverno Tropical"? A rede social não vai garantir justiça social, ela é só MAIS UM instrumento na busca pela conscientização da classe trabalhadora. A Revolução NÃO será televisionada.

Chamadas às ruas, com esse nível de despolitização, é irresponsabilidade. Dizer que "o povo brasileiro não quer ser representado" e não propor nada convincente, também é irresponsabilidade.


Os poderosos nunca vão permitir que trabalhadores governem este país. Os ricos nos odeiam, uivam, como lobos famintos, como cães selvagens e querem nosso sangue, querem o vermelho de nossas bandeiras. Sempre foi assim, não vai mudar, quando me perguntam se tenho ódio de classe fico imaginando o que eu faria se um filho estivesse com fome e alguém, propositadamente desperdiçasse comida na minha frente, para me ferir, como fazem os ricos, todos os dias.




Tenho ódio de classe sim e não peço desculpas por isso. Tenho ódio de quem consegue deitar e dormir tranquilo tendo milhões em suas contas bancárias, exigindo de seus empregados jornadas de trabalho extenuantes e pagando salários ridículos, exigindo redução fiscal dos governos para poder "investir" no país, especulando e levando nossas pequenas empresas à falência pelo simples prazer de demonstrar poder. Para mim nunca haverá consenso entre trabalhadores e donos dos meios de produção, eles querem nosso sangue. Eles aproveitam-se da juventude e de sua força revolucionária, manipulam, instigam ao caos, confundem...

Não preciso dizer para ninguém, nem pra esses guris manipulados, o quanto nosso país mudou, não preciso provar nada, está tudo aí, está tudo exposto, só não vê quem não quer, quem se deixa alienar.

Com a Direita Golpista a conversa é outra, a postura é diferenciada, vamos para o enfrentamento: Este país é nosso, das trabalhadoras e trabalhadores que o construíram, com sangue e suor! Podem gritar, uivem se quiserem, do alto de seus edifícios de luxo, pisquem a luz e incentivem o caos, daqui nós ouvimos, estamos nas portarias, nas recepções, nas cozinhas, vemos os ricos todos os dias e não somos bobos, sabemos que estão insatisfeitos com tudo o que conquistamos, sabemos que não suportam que nossos filhos estudem nas mesmas faculdades que os seus, que nós possamos andar pelos mesmos lugares e que em breve, terão que pagar bem caro pelo machismo, pela homofobia e pelo racismo, porque sempre soubemos que pra vcs, nosso defeito não é ser mulher, gay ou preto, é ser pobre. Uivem enquanto podem, lobos assassinos, este povo não se deixará levar pelas astúcias da classe mais ignorante que este país já viu. Vcs só tem dinheiro.


Eu, mulher de partido, fui "aconselhada" a não levar minha bandeira. Sempre tive orgulho da minha bandeira... A MINHA, a que escolhi pra mim, não a que "fabricaram" com ideais do positivismo de Comte. Eu, militante do movimento social, caminhei entre pessoas com cartazes cheios de alienação e fascismo...

Levo comigo, uma bandeira. Vermelha. Ela sempre esteve aqui, nas veias de uma trabalhadora.


Militando desde os 15 anos de idade vi o descaso, a inflação e o desespero do meu pai por não conseguir nos dar o básico, o essencial, mesmo trabalhando tanto! Vi jovens serem chamados às ruas pela grande mídia, pintando seus rostos e gritando "Fora Collor!", para, anos depois, o colocarem de volta nos espaços de poder. Vi a bandeira vermelha do MST se erguer nesse país e com ela crescer a luta por Soberania; categorias de trabalhadoras e trabalhadores, centrais sindicais, como a CUT, erguerem suas bandeiras em Marcha atravessando distancias enormes para levar uma mensagem e fazer o povo conhecer esta Nação; homens e mulheres na busca por construir um país mais justo. Elas e eles erguerem a "Bandeira Vermelha"... A minha tem uma estrela. Eu tenho orgulho dela, pois conheço a história deste país.

Aprendi a fazer política na rua, no dia a dia, com minha mãe, com "a menina da limpeza", com "o moço do mercadinho", com "o homem da feira", com os partidos políticos, com os movimentos sociais que pensam o Brasil à sério... Com aquelas e aqueles que lutam pelo povo, porque são povo.

O que sei sobre o Brasil não foi aprendido na TV e nem no Facebook.

Eu senti, eu vivi.

Sou militante.






"Os cães ladram
mas a caravana não para."
Planet Hemp - 12 Com Dezoito



10.2.13

Dignidade, por favor.

"Vamos sair, mas não temos mais dinheiro
Os meus amigos todos estão procurando emprego
Voltamos a viver como há dez anos atrás
E a cada hora que passa
Envelhecemos dez semanas."

Teatro dos Vampiros
Legião Urbana



Tenho boas notícias: Tô trabalhando!
O que ainda me deixa triste é que meus "cúmplices" ainda estão desempregados.
Pode não parecer mas tô muito feliz... é que minha felicidade só fica completa de verdade quando aquelas e aqueles à quem amo também estão felizes...

Vamos às novidades: O trabalho é bom, o salário também, a equipe é divertida e a coordenadora é uma pessoa adorável. Agora posso dizer que tô feliz. Ter dinheiro é bom (claro!), mas o melhor mesmo é estar fazendo algo interessante e, finalmente, sair daquele tédio desorientador que só o desemprego é capaz de criar. Quando se está trabalhando, tem-se aquela sensação de ser útil e também podemos fazer planos perfeitamente realizáveis - o que é uma delícia, diga-se de passagem.

Eu adoro trabalhar, trabalho desde criança e se não fossem por alguns empregos ruins que tive e seus patrões sacanas eu teria passado a melhor parte da minha vida no trabalho. Não acho que trabalhar seja um castigo, como está escrito na Bíblia, acho, pelo contrário, que trabalhar é a mesma coisa que estar vivo, é o trabalho que nos dá a possibilidade de sonhar.


Quando falo sobre trabalho não estou falando exatamente do trabalho remunerado, mas do trabalho como toda intervenção produtiva da pessoa humana - a VEJA não sabe nada sobre pleonasmo. Produzir é importante e, mais que um prazer, é um dever. De que adianta ler um livro e daquela leitura nada ser produzido (nem um comentário de mesa de bar)? Interferir é algo que todas e todos podemos e devemos fazer. Quando converso com minha mãe,  quando lavo a louça na casa de uma amiga, quando coleto o lixo que alguém deixou na praia... Todo trabalho é digno e necessário. Até porque, mesmo que eu não produza, vou, inevitavelmente, continuar consumindo. É natural de um ser vivo, consumir, o que não é natural é consumir demasiadamente como o sistema nos impõe.


O mesmo sistema que nos priva do Trabalho Remunerado, o mesmo sistema que diminui as vagas para que cada um de nós precise se humilhar em troca de um salário, é o Sistema que nos constrange pelo fato de "ainda" estarmos desempregados. Como se a pessoa desempregada escolhesse estar nessa situação, conheço pessoas que se acomodaram realmente e se você, ao invés de julgar, tentar ouvir o que alguns tem à dizer, vai ouvir coisas bem coerentes. O que fazer quando sua família investiu na sua educação, deu à você oportunidades que outras pessoas não tiveram e, mesmo assim, você não consegue nada na sua área?! O que fazer quando a tua idade te impede de ocupar uma vaga na qual você tem décadas de experiência? O que fazer pra conseguir experiência quando você é jovem e tá cheio de curiosidade e energia mas ainda não tem qualificação?

É triste ter que parar de sonhar com coisinhas simples, fáceis de alcançar, só porque se está sem emprego. Fico pensando em como estão outras pessoas, jovens como eu, que estão numa situação de  desemprego ainda pior do que a que eu estava... Eu tinha algumas perspectivas, estava esperando por uma vaga melhor, podia ter ido atrás de qualquer emprego, mas estava esperando o que seria melhor pra mim. Pude escolher. Essa não é a realidade de milhões de pessoas que estão por aí, sentindo-se desamparadas.

Me sinto privilegiada.

Olho para algumas amigas e amigos e vejo a mesma expressão com a qual eu estava há dias atrás. A velha pergunta fica martelando a cabeça: Como pode ser lícito que poucos tenham tanto e tantos tenham tão pouco? Sabe o que querem esses jovens que me cercam? Trabalho. Querem trabalhar duro, querem contribuir, querem sonhar, se divertir, ajudar outras pessoas, querem morar só... querem começar a própria vida.

Mas o sistema não deixa.
E não deixa porque? Fácil.
Não se pode dar à todos o poder de compra, o poder de intervenção... Trabalho é independência, é um pouco de Liberdade. Se aqueles que detêm o poder compartilharem um pouco, uma migalha que seja desse poder... sabem que nada mais será igual, que quem viveu até agora com tão pouco pode fazer Revoluções com um pouco MAIS.

Dignidade é artigo que anda em falta, quem tinha mais moeda levou todas as peças... só não sabiam que este item não está à venda, é brinde. Prêmio dado à quem não se deixar derrotar.

Saudações de uma recém-contratada à todas as desempregadas e desempregados. Um brinde ao empreendedorismo de algumas pessoas, à fé de outras e à coragem daquelas que sobrevivem à toda a cobrança que a sociedade nos faz. As coisas vão melhorar!

À quem sobrevive, um brinde!

24.9.11

Movimentando

"Olêêêêêê, olê, pelego!
Olêêêêêê, olê, pelegá!
tu desaprende a embuchar urna
que eu te ensino a militar!"

Movimento Estudantil - UFPB


Meu primeiro contato com o Movimento Estudantil foi  aos 15 anos, no grêmio da escola estadual que frequentei. Lembro bem que naquela época já era claramente definido que os estudantes que se envolviam com "essas coisas" eram os "sem futuro", os que só queriam saber de bagunça!

Participar de ME nunca foi muito o foco da minha militância, minha tendência sempre foi a demanda dos movimentos sociais e hoje minha principal bandeira é a questão de gênero (movimento feminista e causa LGBTT), mas ao receber o convite pra compor a "Chapa 04 - Cantamos, gritar só não basta!" senti a importância deste processo e a conjuntura em que hoje encontra-se a UFPB.

Nunca vi minha universidade tão afogada na apatia como agora, é triste ver como os estudantes não acreditam que vale à pena se expor, se mobilizar pra questionar o que está posto, não apenas engolir o sapo e aceitar pacificamente que nossos direitos sejam pouco a pouco tirados de nossas mãos com toda a facilidade.

Tenho uma preocupação especial com meu curso (Letras). Estamos formando futuros professores e pesquisadores de língua e literatura e minha questão é: qual a capacidade crítica desta geração de professores? Seremos formadores de opinião, conseguiremos contribuir com o processo de aprendizagem de nossos educandos, eles sairão da escola sabendo pensar e refletir criticamente?  Ou seremos meros reprodutores de um conhecimento que exclui cada vez mais?!

Participar deste processo foi muito bom, estar ao lado de pessoas realmente comprometidas com a justiça social e com a luta do povo, sempre é gratificante. Algumas das pessoas que estavam inseridos neste processo são amigas e amigos de longa data, outras eu fui conhecendo no decorrer da campanha. Como é bom ver aquelas pessoas tão entregues à uma causa, dormindo uma, duas horas por dia, jantando pão com mortadela, caminhando mais do que pés e pernas podiam suportar...

Garantir o espaço e a voz do estudante é fundamental na garantia dos direitos de todos, são os estudantes que tem, na maioria das vezes, um pouco mais de tempo e de disposição pra ir às ruas exigir os direitos de toda a sociedade. 

Em João Pessoa parece que há um problema muito particular com o ME: ele atua. O ME incomoda, enche o saco mesmo! É um grupo pequeno mas politizado e consciente do que vem ocorrendo na cidade e no estado. É claro que há vários grupos, pessoas independentes, juventudes de vários partidos, etc e tal, mas quando me refiro ao ME estou realmente falando dessas mesmas pessoas que estavam na campanha #contraoaumentojp, na ocupação da câmara dos vereadores, quando estes aprovaram as OS's... enfim, todas as lutas que sempre travamos na cidade. O resultado dessas eleições reflete, em muito, a perseguição política que o ME vem sofrendo.

Não falo daqueles que só aparecem em época de campanha, gente que não tem nenhum compromisso com as demandas da comunidade acadêmica, fraudando urnas, batendo em pessoas de outras chapas, e pasmem, batendo também em mulheres! Quando faço referência ao ME, falo das pessoas maravilhosas, que vem construindo esse trabalho, pessoas que muitas vezes abrem mãos de suas "demandas pessoais", que sabem que não vão poder descansar, dormir, comer, se divertir, namorar, enquanto aquela tarefa não estiver cumprida, porque sabem que uma simples tarefa não cumprida pode colocar à perder o trabalho de todo um coletivo e os direitos de muita gente!

Então eles se cansam, mas permanecem. Quando tem dúvidas, questionam.  Quando agredidos, não se intimidam. Se sentem medo, de braços dados a coragem revive. Perdem, e continuam lutando. Gritam, porque não são ingênuos e manipuláveis, mas cantam porque sua luta contém toda a docura de seus corações.

Lutam por tudo aquilo que acreditam!

Elas e Eles lutam porque são povo.


16.10.10

LaiCidade




"A liberdade custa muito caro e temos ou de nos resignarmos a viver sem ela ou de nos decidirmos a pagar o seu preço."
José Martí


Somos um país laico (Graças à Deus)!

Pode até parecer ironia, mas mesmo tendo certa "orientação" religiosa, confesso que prefiro que meu país tenha escolhido como postura a condição de ser laico. A liberdade de culto é um bem que não deve, de forma alguma, ser questionado, muitas lutas ocorreram até que se tivesse a liberdade de crer no que se quer, muitos morreram, outros tantos foram perseguidos...

Hoje, vivemos um período que lembra a Idade Média, tamanha a "Santa" Inquisição que tenta se instaurar em no estado, pessoas tem sido caluniadas e difamadas, embora eu não seja praticante de religiões afro-brasileiras nem tampouco simpatize com alguma religião tida como espírita, acredito que TODAS as religiões tem seu espaço e devem ser respeitadas, e mesmo que não concordemos com suas práticas religiosas temos o dever de reconhecer o valor cultural dessas e de todas as religiões, salvo em situações que venham a ferir os Direitos Humanos.

O povo brasileiro, historicamente, tem sofrido diversos ataques à sua liberdade, seja política, seja de culto, seja de livre expressão, alguns de nós nasceram ainda sob o jugo da Ditadura Militar (essa vergonha nacional), então amigos, peço que possamos lembrar disso e refletir sobre nossa atuação enquanto paraibanos, e mais que isso, como brasileiros!

Nesse período de eleições tenho recebido e-mails que no mínimo, eu os diria levianos, fotos de candidatos em encontros de determinadas religiões, fotos de desconhecidos tratados como “satanistas”, e coisas do tipo, sinto muito que pessoas que inclusive professam a mesma fé que eu, estejam fazendo coisas como essas, sinto vergonha e o mínimo que posso pedir é: não me mandem e-mails pedindo que eu vote no candidato A ou no candidato B pq este ou aquele é praticante desta ou daquela religião! O único argumento que me interessa ouvir sobre determinado candidato é quanto a sua capacidade administrativa e só!

Se alguém tem determinada religião e preocupa-se com seu estado, ore pelo Estado, interceda, vote certo, trabalhe para o desenvolvimento do seu povo, não jogue lixo no chão... Enfim, das maiores às menores ações, todas tem um grande e importante papel no desenvolvimento de nosso país o que não pode continuar é essa cultura de discriminação e de ódio.

E uma última palavra para os cristãos, em especial, lembrem-se que um dia foram vocês os perseguidos e vejam como a vossa fé e cultura se expandiu mesmo assim!

Não há palavra mais bela que essa: Liberdade (para todos), então que todos possam ser livres!

Com amor e uma certa impaciência, Priscilla Marx.