11.1.12

Menina Mimada



Arranjei uma boneca
E que menina sapeca que ela é!
Mas não é de Porcelana,
nem Barbie!
‘Tá muito mais pra Emília
essa Menina-Mulher

Essa menina é toda-toda.
Acha que pode enfrentar tudo
E briga pra escolher a música
Do jeito que enfrenta a polícia
Nem vê que não tem tamanho.

Fica brava quando a mando pro banho
Logo ela, que é tão cheirosa!
Florzinha com espinho de rosa...
“Pro banho!” é só pra irritá-la
E acabaçar com a diversão.

Ela é muito chatinha
e de tempos em tempos
na franja passa chapinha.

Já pequei e pensei
Que umas boas palmadas
resolveriam a birra
que faz o bico virar
quando começa o choro
e não quer mais parar.

Ai! Que raiva que dá!
Quando ela não está
dançando no meio da sala,
gritando com todos
e querendo saber de tudo
o que se fala.

Ai! Que saudade que dá,
quando chego em casa
e ela não está lá
Ai, que boneca irritante,
que flor de menina
e que grande militante!

Ah mas se ela for mesmo minha,
eu prometo que cuido!
Encho de manha e carinho
Deito em seu colo
E serei eu a que choro
A que faz dela meu ninho



6.1.12

Paixão pelo Amor




Amor: Sentimento que predispõe alguém a desejar outrem. 2.Sentimento de dedicação absoluta de um ser a outro, ou uma coisa. 3.Inclinação ditada por laços de família. 4.Inclinação sexual forte por outra pessoa. 5.Afeição, amizade, simpatia. (Antônimo: ódio aversão).6. O objeto de amor
Dicionário Aurélio





O Aurélio não sabe de nada!
O amor é uma coisinha nojenta, pegajosa e cor de rosa (detesto rosa).
É um negócio chato e inquietante, que deixa o povo suspirando pelos cantos, pulando no ponto de ônibus enquanto conversa com a amiga, ou mandando mensagens melosas para o celular do ser amado...
É um troço besta que faz com que você não veja que tem um monte de gente interessante na festa só porque tá ansiosa enquanto aquela pessoa ainda não chegou.

Mas tem coisa melhor do que estar apaixonada ou apaixonado?
É meu vício...

Não tem jeito não, parece que vou conseguir, ligar o botão do FODA-SE e ficar de boa, só curtindo, mas quando menos espero eu tô caidinha de amores... Eu não me ajudo!
Relaxa mulé, que para o que não tem remédio, remediado está.
É isso.
No fundo, no fundo (talvez nem tão no fundo assim!) eu sei que gosto dessa bagaça, que sentir meu coração bater mais forte é a melhor coisa do mundo, acordar de bom humor só porque sonhei com aquela pessoa... Ah! essas coisas que o amor faz com a gente! Idealizar o objeto de desejo, fazer planos, querer ficar juntinho, é bom demais!

Só é ruim quando a pessoa em questão não tá na mesma que nós mas daí é levantar a barraca e procurar outra sombra pra se instalar. Não tenho tempo pra ser infeliz!
Quero viver, amar e viver muito.


Beijo de Reveillòn é bom mas dormir no peito, rir na cama, sentir ciúmes, dispensar o caras interessantes que aparecem, só pra não perder quem a gente gosta e considera é bem melhor!
Amar é doido, né?! Eu gosto. Me entrego. Choro, sorrio, fico ansiosa, vivo cada minutinho. Às vezes quero dar uma de durona, dizer que não me importo, mas quem me conhece já tira logo onda e joga na minha cara que eu não sou assim...


Amigos. Só servem pra isso mesmo: Lascar a gente.



Amigos são a pior coisa que a civilização humana inventou. Eles nos colocam nas piores enrascadas e a gente ainda assim, não vive sem eles. Botam a maior pilha numa história que está fadada ao fracasso, e a gente, de besta, acredita! Vê se pode?!


Amigos, pra piorar ainda oferecem colo pra gente chorar. Mas bem feito, quem mandou botar lenha na fogueira! Agora tem que aguentar. Porque quando o amor se instala em nosso peito é ruim de sair, é daqueles inquilinos-problema, que não pagam o aluguel em dia mas a gente meio que considera como amigos e se ferra.

Ainda mais se for gente doente, ops, romântica, como eu... Aí é problema dobrado, porque eu acho que gente assim gosta mesmo é do sentimento, gosta é de amar, só vai mudando os personagens...
Todo o meu louvor ao Amor, só ele me faz sentir assim: Viva.




3.1.12

Sobre pipas e piões

Para João
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Uno no escoge


“Um homem não escolhe o país onde nasce;
Mas ama o país onde nasceu.
Um homem não escolhe
a hora de vir ao mundo;
Mas deve deixar marcas de seu tempo.
Ninguém pode fugir da responsabilidade.
Ninguém pode tapar os olhos, os ouvidos,
Ficar mudo e cortar as mãos
Todos temos um dever de amor para cumprir.
Uma história que fazer
Uma meta a alcançar.
Não escolhemos a hora de vir ao mundo:
Mas podemos fazer o mundo
Em que nascerá e crescerá
A semente que trazemos conosco.”

Gioconda Belli
Nicarágua
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Lembrei de um homem.

Lembrei também de mim e de como muitas vezes me adapto ou me conformo sabendo eu que não sou daquelas que desistem.

Do que era mesmo que estávamos brincando? Parece que esqueci, ainda que rapidamente... tudo é tão perigoso e agora há tanta gente pra magoar. Quando digo que não quero brincar é porque sei bem as consequências e não serei eu a menina que leva a bola embora e estraga toda a brincadeira da rua!

Eu o vejo e o sinto de longe e é de longe que o admiro, o conheço, me confundo, me esqueço. É de longe que o desejo perto de mim e de longe que o evito.

A questão mais difícil na vida, no que se refere à escolhas que tomamos e que nos guiam pela vida, não é resistir como uma mula empacada, nem se jogar como um cachorrinho, sem saber onde vai cair.

Há coisas em nós como o amor, o companheirismo e a coragem, que podem contribuir com a vida dos outros e com a nossa, pouco importa o quanto temos ou como temos, só importa o que temos, se é bom e se é verdadeiro.

Ele tem muito. É amoroso, companheiro e um militante valoroso.

Ao conhecê-lo todos são convidados a entrar nessa montanha russa que é seu jeito de viver, ele estende a mão e mostra o mais belo dos seus sorrisos, somos seduzidos e quando nos damos conta estamos caindo vertiginosamente, sem saber se o que sentimos é adrenalina ou desespero.

Todos estão se contendo, ninguém se entrega, ninguém vive.
São todos sonâmbulos... 
Não há nada na maioria das pessoas. Nada.
Ele se dá demais e por isso queremos sempre mais.

Às vezes eu chego a ter medo de não entendê-lo quando conversamos, porque há nele uma beleza, uma confusão e um turbilhão de outras coisas acontecendo dentro e fora. Por isso é perigoso julgar qualquer coisa vinda dele, uma atitude, uma fala, um gesto. Quando diz ou faz algo, eu espero e espero até que eu entenda verdadeiramente. Esse receio todo é anterior ao carinho, vem de um profundo respeito que sinto por ele.

Vê-lo triste mesmo em meio às gargalhadas tornou-se algo comum. Ouço as pessoas dizerem que está cansado, que desistiu, que não se adapta.

Não sou sua amante, não sou sua amiga, nem mesmo militamos juntos, mas de uma coisa sei: Ele tem "Uma história que fazer, uma meta a alcançar."

Eu espero muito dele. Eu sei... Mas também oro e torço, para vê-lo feliz. E mesmo que não acreditem, eu acredito. Dificilmente me engano com as pessoas e sei que não me enganei, sei que ele tem muito à contribuir. E quero vê-lo bem, quero vê-lo forte.

Deve ser difícil lidar consigo mesmo quando se é tão intenso!

Mas seja o que for que nos entristeça: aquele amor que não acontece nunca, mesmo quando maltratamos o próprio peito; a amizade que ficou estranha e difícil, a militância que nos cansou demais, que não reconhece o esforço feito e dá tão pouco resultado... Seja o que for que aconteça, quero que continue sendo quem é, enquanto houver vida! E nunca mais quero ouvi-lo dizer que não tem mais força, porque sei que tem.

Ele sabe que aguenta.
Quero vê-lo feliz e realizado.
Seja o que for que ele queira, jamais poderá desistir do que quer, do que o faz feliz.
Precisa dar tudo de si. Mais uma vez e quantas forem necessárias.

_____________

Eu acredito em você.
Com toda a minha amizade e admiração.
_____________

E eu que espero tudo isso de um menino que fala sobre pipas e piões com a mesma reverência de quem discorre sobre a vida e a morte...



1.1.12

Pára tudo, que eu quero subir!



E não é que 2011 terminou?
É claro que ia terminar, mas pra mim parecia que não!
Sem lenga-lenga, tudo está melhor ao mesmo tempo que ainda dói e sei que não seriam os ponteiros do relógio que iriam mudar minha vida, mas eu adoro a simbologia dessa festa!

"Foi só mais um dia que amanheceu", tá bom eu sei disso, sei que a idéia de tempo é só uma convenção, mas vai convencer meus medos e receios disso!



Acabou e foi muito doido. Ano ruim da gôta! O que ficou de bom tá aqui, nesses dois homens e nesta mulher. Meus amigos e amiga. Meus amores. Sem eles como teria sido? Teria me trancado na solidão voluntária a que me obriguei e teria doído mais, teria demorado mais...

Comemorei a passagem de ano da maneira mais louca que caberia à mim. Curti muito. Precisava sentir que era havia acabado e que o amanhã será um tempo melhor. 



Coisas tão simples como ver os fogos, entrar no mar (de roupa e tudo!), beijar... tornaram-se ainda mais especiais, com aquele gostinho de quem competiu e venceu, o beijo teve gosto de prêmio, fogos e música pra celebrar a vitória, banho de mar pra levar embora o que ainda tinha de ruim!
Outras dores, outros amores, minhas, deles e delas. Nem todas as lágrimas foram derramadas, nem todos foram amados, mas passou (ou eu acho que vai passar)!





Entre amigas e amigos, entre amados e amantes, entre mim e o resto do mundo tudo foi finalmente se encaixando. Sentir que é mais fácil agora é tão bom que não saberia expressar em palavras. Tudo é mais cheio de esperança.






Quero que este dia que nasceu, tão rotineiro, tão cotidiano na natureza, seja pra mim o que é pra minha espécie: renovação, esperança, possibilidades. Quero, de verdade, seguir em frente e esquecer o que foi ruim, sem perder a maturidade de cada lágrima mas muito mais disposta aos sorrisos!



15.12.11

Carpe Diem



"Apressa-te a viver bem
e pensa que cada dia é,
por si só, uma vida."
Sêneca



Quando tudo que planejamos muda radicalmente, quando sentimos que somos impotentes em relação à vida e ao rumo das coisas, dá uma vontade danada de desistir!
Eu nem sei o que faço mais pra continuar, às vezes me olho e parece que apenas estou sobrevivendo. Tenho um medo enorme disso. Não é assim que quero viver. Só que nos últimos anos fiz tantos planos e foram tantas frustrações que não ouso sequer pensar num possível plano.

Tô nessa de um dia de cada vez mesmo. Sem expectativas.
Só isso.
Um dia de cada vez.


Ando tentando aproveitar cada minuto do meu tempo, mesmo quando estou "de bobeira" só jogada em cima da cama, ouvindo música e morrendo de preguiça, ainda assim acho que é tempo muito bem aproveitado, e nem tô falando de ócio criativo não, viu! É só ócio mesmo.




Essa semana andei vendo umas fotos do ano passado, o álbum chamava-se "família", fiquei meio triste, parecia que era outra vida, de outra pessoa, em outro tempo. Confesso que senti saudades. Saudades de uma estabilidade, de uma rotina feliz, é meio estranho porque sei que as fotos são apenas registros de um momento. Ninguém posa pra foto quando está agredindo.




A saudade daqueles momentos, não é o bastante pra fazer com que eles sejam reais.
Família é muito mais que fotos bonitas.
Mudei o nome do álbum: Vidas Passadas
Chorei muito.
Acabou.
 


Sem planos, refaço meus dias, minha rotina, meu mundo.
Minha vida recomeçou, não porque eu quis mas porque precisei.
Sobreviver. É instinto. É necessário.
Quero sobreviver à tudo que passei e lá na frente depois que tudo isso estiver curado dentro de mim talvez eu sente e planeje. Por enquanto quero apenas viver.


 
Há alguns anos eu estava às tontas entre os planos de casamento, filhos e formatura.
Hoje eu quero caminhar com minhas cadelinhas de manhã e pagar a conta de água, que está atrasada. Depois do almoço acho que preciso ter paciência com meu chefe. À noite, quero dormir deitada no peito daquele que também quer estar ao meu lado e colher beijos em sua boca com a delicadeza de quem colhe morangos maduros.

Colher o dia como se fosse o último, o único.

Carpe Diem



11.11.11

O ano em que completei 30

Sexta-feira, lua cheia, 11/11/2011, 30 anos.

"É 1991.
Talvez seja o tempo mais brilhante e atravessado
pela noite que esse mundo já viu.  Eu tenho 35 anos.
Às vezes quando eu digo isso alguém rapidamente
responde: “Mas não parece”, como se fosse ruim
ter mais de 30 anos. Mas para mim não é assim.
Para mim a infância, a adolescência, os 20 anos,
eu os vivi até o fim para chegar a esta idade.
Eu tenho 35 anos em 1991 e não há nada melhor do que isso."

Marina Lima

Uma noite e tanto!
Tô feliz.

Mais feliz porque sei que o ano finalmente está acabando... pode até parecer bobagem mas eu acredito nessas paradas meio esotéricas/astrológicas e tal e esse ano foi muito pesado mesmo. Não digo com isso que foi ruim mas que foi difícil, ah! isso com certeza. Nunca me vi em uma situação tão difícil, mas pela primeira vez na vida, eu não deixei de sorrir em nenhum momento, mesmo em prantos, com as lágrimas molhando meu rosto eu sorri cheia de esperança. Eu tinha certeza de que daria tudo certo. E deu.


Coisas muito curiosas aconteceram comigo neste ano, passei por várias situações de djavù, me vi resolvendo questões pendentes que jamais imaginei que fosse precisar ou sequer ter a oportunidade. Coisas que eu havia esquecido e que já não me importavam mais. De repente, ao me deparar com determinadas pessoas, com algumas situações, percebi que aquilo ainda doía e foi muito bom ter a oportunidade de curar.



Há 15 anos atrás eu sonhei com essa data. O dia em que faria 30. Como eu estaria, o que estaria fazendo, teria sucesso, amigos, amores, grana, seria inteligente, magra? Havia muita curiosidade naquela adolescente que eu era, a curiosidade de conhecer a mulher na qual eu me transformaria.
Naquela tarde saí pra fazer uma das coisas que mais me davam prazer: Garimpar vinis antigos. Como colecionadora de LP's é claro que o presente que eu me daria só poderia ser um disco. Mas não poderia ser qualquer disco tinha que ser um especial, não tinha ainda em mente, apenas me arrumei e fui ao centro para começar a busca e torcer pra dar sorte, a noite seria a comemoração com as amigas e os amigos, a tarde seria só minha.


Encontrei um vinil da Marina Lima, era aquele. Senti no mesmo instante que seria esse o meu presente. Tenho um problema com compras que faço pra mim... como sou extramamente indecisa preciso bater os olhos no objeto e gostar, se não for assim eu não compro, porque ficaria indecisa entre as outras opções. Quando vi o LP da Marina, foi automático, sou fã, e ao abrir o encarte me deparo com uma foto muito linda dela, corpo inteiro e uma escrita ao lado na qual ela falava sobre ter 30 anos, sobre ser adulta, ser mulher.

Nao sei porque, não entendo nem tampouco saberia explicar, se quisesse, só sei que depois de comprar aquele vinil, ouvir aquelas músicas e ficar pensando sobre o que disse a Marina, tudo mudou muito rapidamente. Tudo. Cada passo que eu dava era pensando na mulher que eu me tornaria, por várias vezes me decepcionei comigo mesma, não alcancei minhas próprias espectativas, mas sempre caminhava para aquilo que seria o meu ideal de mulher, o que eu queria fazer e como queria ser aos 30.

Jamais passou pela minha cabeça que eu seria divorciada, mas era certo demais que eu iria morar só, numa casinha pequena e simples que eu iria amar, que teria amig@s, muit@s. Imaginei que eu estaria em forma, mas acho que avida boêmia não contribuiu muito, assim como foi também com a graduação, que está atrasada demais! Aos quinze eu tinha certeza sobre tudo, hoje, aos trinta, tenho certeza de que sou uma boba, que não sei de nada sobre a vida. Me sinto bem melhor assim. Me tornei mais condescendente com meus próprios erros e com os erros de outr@s.
Vivendo um dia de cada vez, aproveitando cada pequeno momento de felicidade, descubro aos poucos que 30, não é estar pronta, é mais que isso, é só o começo. É agora que minha vida - a MINHA - começa. Agora sou adulta, livre, cada vez mais viva e aproveito ao máximo cada etapa dessa vida.

Comemorei meu aniversário com amigas e amigos, me diverti, dancei, me emocionei, senti meu coração bater mais forte ao receber os parabéns dele... 

Enfim, 11/11/11 seria uma noite única na minha história e foi. Na manhã seguinte olhei pela minha janela, aquela, a do quarto, a luz invadia cada espaço, e me senti feliz, pronta pra começar, recomeçar. Me reencontrei com aquela menina de 15 anos e finalmente acertei as contas com ela, estamos quites, não devemos mais nada uma à outra.

Felicidade rima com paz...




4.11.11

Vida Boêmia



Essa legião odiada
de putas e viados,
suas festas e paradas...
deixam ainda mais linda a cidade!

Ah! Essa cidade...
Tão belas as luzes acesas
dos cabarés abertos!

Andamos por ruas coloridas
de casarões abandonados
fumando, bebendo, gozando
as noites de sábado.

Curando a ressaca e as dores
(ou seriam amores?) nas praias de domingo.
Cidade pequena de gente que teima
em ser livre, em ser leve.

Amor, não me leve. Não peque!
Não me roube daqui!
(da vida boêmia, da cidade pequena...)
Eu preciso dela e ela de mim.




22.10.11

Quero um "Não"!



"Um dia desses
Num desses
Encontros casuais
Talvez a gente
Se encontre
Talvez a gente
Encontre explicação..."
Humberto Gessinger

Entre um SIM e um NÃO, não existem um talvez, o talvez que se dane, não se vive de talvez.

Quero um NÃO, e digo isso de coração partido, mas se alguém é incapaz de me dizer um SIM, rejeito o TALVEZ e peço o NÃO.
Quero coragem em todas as minhas relações, quero que me deixem ir.

Encontros, desencontros... Outros e outras vem e vão.

Eu continuo no encanto. No encantamento de minha liberdade. A liberdade de ser quem eu realmente quero ser. De falar tudo o que sinto sem me omitir para agradar quem quer que seja. Ninguém precisa ter medo de me magoar com a verdade. Anseio por ela todos os dias da minha vida.

Há uma verdade há muito guardada, uma verdade e um sentimento dentro de mim que eu pensei que havia esquecido e hoje sei que estão mais vivos do que jamais estiveram.
Quero paz.

Me apaixono ao meu modo, uma paixão toda minha... Invento meus amores para me manter viva, pulsando.

Desconfio muito dos fortes, tenho pra mim que só quem já sofreu muito pode ser forte e quem já sofreu demais passa a ver a vida com uma certa amargura, não quero isso pra mim, não quero me tornar alguém vazia e amarga. 

Gostaria de tirar meu coração dessa terrível condição de espera. Poder permitir que os amantes tornem-se, quem sabe, amados.

Sei que um dia, quando puder e quiser, o amor estará aqui. A mim só caberá estender a mão.

Queria muito dizer NÃO para mim mesma, parar de sonhar com coisas que parecem tão distantes!

Mas sei que não posso. Não consigo deixar de sonhar.

Quanto aos covardes, tenho pena. Também já fui assim, também evitei o nãopor motivos totalmente pessoais e egoístas. Quem evita dizer nãoestá mantendoo próprio nome na lista, está tentando manipular, da pior forma, o sentimento alheio. Sejamos sinceros e objetivos, talvez assim possamos compreender que a sinceridade não é tão difícil e que a felicidade do outro também é importante.

Hoje, adulta que sou, aprendi a dizer o que sinto e o que quero, não tenho mais medo. Não também faz bem.







21.10.11

Quando vi o sol nascer



Olá Poeta,

Sinto sua sua falta ao mesmo tempo que o sinto cada vez mais perto. Sensações paradoxais demais até para mim.

Eu procuro algo que mal sei o que é, em todo lugar e em lugar algum, como se no fundo não acreditasse em mim mesma, como se desconfiasse da minha própria sanidade e, como proteção, preferisse o estar com outros ao suplício de sonhar com algo que pode nem ser real.

Pensei ter te visto certa manhã de maio...


Foi um encontro e tanto! Aquele rapaz vinha andando, na mesma direção do sol e havia toda aquela luz ao redor dele! O cabelo crescido e a barba por fazer tudo num castanho claro que com o nascer do sol ficavam ainda mais claros.


O que mais me encantou nele foi o sorriso... Um sorriso enorme, sem motivo aparente. Ele foi chegando e o sorriso virou gargalhada. Encontrou seus pares e eu pasmei, paralisei. Fiquei alí como quem se perde no meio da multidão, sem ação, sem jeito, sem chão.


***

Quem é? De onde ele veio?

Ah! É ele?!?!?! É esse?


***
Apesar de todo o encantamento que senti ainda sim , eu sabia o quanto era diferente.

Inconfundível.

Vivendo feliz com ilusões, com expectativas, com "amores inventados". Detesto estas "verdades" que tentam me impor, quero a verdade dos amantes, daqueles que se enganam por conta própria, que amam mais ao amor do que ao ser amado! Quero poder amar assim.

***
Sobrevivi a tudo o que aconteceu e por hora me contento com o que é palpável, prático.
É bom saber que eu ainda posso ter sentimentos assim, tranquilos... 

Quanto à você, continuo te esperando.

Com todo meu amor.







20.10.11

Cultivando


‎"Nunca desejei tanto
um sorriso
como desejo ver o seu."

Caio F. Abreu








Olá Poeta,

Tem tanta loucura acontecendo na minha vida... E eu me sinto só, como sempre!

Agora pouco olhei pela porta da sala e parece que vai cair uma tempestade, o céu cinza faz com que eu me sinta com mais medo de enfrentar todas estas coisas que teimam em vir ao mesmo tempo, apesar de tudo, só de estar em casa eu me sinto mais tranquila...

Estar "em casa" é muito bom, hoje entendi o que significa a expressão "de volta ao lar".

***

Esta semana trabalhei muito no jardim, havia muita erva-daninha, a grama tinha ficado toda cheia de buracos e as plantas estavam morrendo, havia uma que estava numa situação pior, uma roseira. Linda. Vermelha.

Deu trabalho, aliás, ainda está dando muito trabalho, minhas mãos e unhas estão de dar vergonha. Não queria que me visse assim... Ainda tem muita coisa pra fazer até que volte a ser o jardim que eu gostava tanto! Apesar de ter perdido metade da roseira - metade dela secou e não houve como recuperar - a outra metade formou um botão - que eu achei que não abriria porque ela estava com poucas pétalas e muito sequinha - acordei cedo e fui ver o jardim pela manhã e como estava bonito!

O botão de rosa abriu!

Fiquei feliz, a rosa conseguiu, desabrochou. Não sei de onde encontrou energia, mas conseguiu...

***


Lá fora está uma loucura, muita coisa pra fazer, muitos compromissos de bobagem, de coisa importante, mas sempre muita coisa, trabalho, faculdade, militância, amigos, família... Quando sobra tempo: Eu...
Só que quando chego, ligo o som que fico por aqui curtindo essa paz, cuido do jardim, tomo um banho, como alguma coisa, leio, fumo... nesse instante da minha vida só há paz e pequenos prazeres!

Nessa hora a única falta que eu só sinto falta de você.

Já me disseram tantas coisas, conselhos de quem não sonha parecem ser os mais inúteis. Sei o quanto sou boba, para não dizer esquizofrênica. Sinto falta de vivências que não tive. No fundo, pouco importa o que dizem. Sempre me permiti viver coisas "reais", vivi cada uma delas intensamente, nunca permiti que um "ideal" atrapalhasse minhas experiências, mas sempre senti que não era a hora, que não era "aquela" pessoa, todas as paixões que senti sempre me causaram a sensação nauseante de um enorme desperdício do meu precioso tempo.

Talvez eu esteja idealizando, talvez não. Sinto que há algo de muito bom chegando, eu não sei como, apenas sinto.

De uns tempos pra cá eu desisti de tentar não sonhar tanto. Há algo maior e mais bonito que qualquer coisa que eu já tenha vivido antes, está bem perto, eu só não vejo ainda. Prefiro cultivar esse amor, aqui dentro de mim, pois sei que em breve, ele vai chegar e saberei dar o que tenho de melhor! Coisas especiais, PESSOAS especiais...

Continuo vivendo, me envolvendo. É tão fácil, tão simples. Mas é sempre só isso. Ainda espero.

Pouco importa, só te escrevi para contar sobre a rosa, ela conseguiu. Nós duas conseguimos.

Com todo meu amor.





30.9.11

Como sempre


Sempre correndo
pra luta!
Sempre fugindo
de mim...

Como uma fera,
ao redor, espreito.
Um, vacilo? Quem dera!
O prenderia no peito.

Sempre cansando
com a vida.
Sempre sonhando
com a outra...

Como uma louca
me porto, comporto
o desejo na boca,
no ventre, no corpo.

Sempre bebendo
seus copos.
Sempre seduzindo
minh’alma.

Como uma dama,
frágil (me entrego)
mas infame na cama!
Sou farol para um cego...





29.9.11

Somos todas Anaydes



Se somos todas Anaydes
sabemos nosso estigma.
Se somos mulheres
na pequena Paraíba,
sentimos o peso desse sexo.


Coragem é nossa lida.
Batom vermelho, saia curta.
Labuta que não tem fim!


Punho esquerdo fechado.
Para luta!
Mão direita estendida...
Para o amor!


Se é dor que sentiremos
bravamente enfrentamos.
Nosso sexo, nosso gênero
nos define, nos inquieta
à resistir...


Se somos todas Anaydes,
que venha a revolução!
A verdadeira, a nossa.


Se corpos ficarem
estendidos no chão
só importa se estarão
sangrando...
ou gemendo de tesão.



Referência carinhosa ao lindo João Cabral de Melo Neto
e carinho às mulheres que são referência para mim.










26.9.11

Porque lutam?


Assim como nós,
também se cansam
mas permanecem.
Na duvida, questionam.
Com medo,
braços dados
retomam a coragem.Perdem teimosamente.
Não gritam só,

também cantam. 
Na luta diária
a doçura de seus corações.
São os que lutam
porque são povo.


Bom dia, Melancolia!





"Melancolia,
maneira romântica de ficar triste."

Mário Quintana




Sempre gostei de janelas. Gosto especialmente da janela do meu quarto, fica bem perto da cama e ilumina tudo ao redor. Volta e meia os pássaros fazem ninhos sob as telhas e eu acordo ouvindo o canto de pardais, bem-te-vis e lavadeiras. Gosto deles, são pássaros comuns.

Hoje o dia amanheceu diferente. A luz na janela, o canto dos pássaros, cada coisa que normalmente me encanta, hoje apenas me lembrava a solidão veio se aninhar dentro de mim. Não acordei triste ou com medo, apenas melancólica e tudo isso por conta dessa estranha sensação que sequer sei explicar. Talvez tenha acordado assim por conta de algum sonho, talvez, raramente lembro dos meus sonhos e até prefiro assim, ele me perturbam, parecem mais reais do que deveriam ser. 

Sonhei que a janela era bem maior do que é na verdade e abria-se, por completo. Oxalá os devaneios e sonhos norteiem a tempestade da minha alma, construam pontes para alcançar o que desejo. Tento quantas vezes forem necessárias, tento até aprender à tentar direito, até entender melhor. Enquanto não entendo, sinto. E o que sinto é uma saudade desesperada de algo que nunca vi, mas sei que existe.

Não me engano, não evito. Sinto, saboreio e sofro cada vão sentimento que teima em fazer de mim sua morada. Saber para, talvez, entender.

Melancólica e solitária, desabafo em Virgínia, entorpeço em Drummond, inspiro em Caio, expiro Pessoa e encarno Anayde. Ainda me sinto só e temo me perder outra vez. Novamente amanhece e abro a janela, a poesia vem embalar meu sono em melancolia.

Com todo o meu amor.


“Eu não sou tão triste assim,
é que hoje eu estou cansada”


Clarice Lispector