18.11.16

Ideias

Ao longo da vida me ensinaram -
insistentemente - várias ideias.
Muitas aprendi, outras não entendi.
Algumas esqueci. De propósito.

Dessas que me encantaram
no fascínio da sua beleza.

Amor, com reciprocidade.
Perdão para as que se arrependem.

Ódio ao incondicional!
Essa mentira podre das velhas religiões...

Não serão os laços
a nos sustentar.
Só o improvável.

18.2.15

O sangue de nossas mulheres




Hoje somos clandestinas, em breve seremos livres.


"Cai o rei de Espadas
Cai o rei de Ouros
Cai o rei de Paus
Cai, não fica nada."



***
Até quando? Até quando a iminência de uma paternidade, ou melhor, de uma pensão alimentícia será motivação para um bandido executar friamente sua parceira e seus prováveis filhos?


Digo prováveis pq, ao que nos parece, todas as mulheres que tem clitóris são infiéis em potencial, logo só o exame de DNA nos redime. Louvada seja a Ciência que tira Capitú do exílio!


O Bentinho da vez, não era propriamente um ciumento, mas um assassino, tem 48 anos e matinha relações com Izabella Gianvechio, 22 anos, a jovem o procurou para pedir q ele assumisse a paternidade de seu casal de gêmeos, a linda Ana Flavia e lindo Lucas. A pequena família foi friamente executada e seu executor encontra-se em prisão preventiva. A mãe foi enterrada dia 12/02/2015 e os corpos dos bebês, encontrados ontem, foram enterrados nesta manhã (18/02) em estado de decomposição.


Como paraibana não pude evitar a recordação da triste história da estudante Aryane Thaís, 21 anos, que estava grávida quando foi estrangulada e o seu corpo deixado num matagal em João Pessoa-PB, no dia 15/04/2010, seu Bentinho, um estudante de Direito, o sr. Luiz Paes de Araújo Neto, estrangulou Aryane.


Conheço vários homens, bons homens, trabalhadores que se sacrificam diariamente para garantir o sustento de seus filhos, são heróis de uma sociedade deturpada, silenciosos resistentes de um mundo sem valores. À estes homens antes de tudo meu respeito e admiração, em seguida meu clamor: Companheiros, unam-se à nós. Ergam suas vozes contra a violência que arrasa famílias inteiras, defendam os direitos das mulheres e crianças, sejam a diferença!


Quanto às mulheres... quando penso nestas mães com seus inocentes bebês nos braços já não sei o que dizer. Só me cabe revolta e indignação. Que pensamos nós, mulheres, quando engravidamos? Que loucura nos acomete de acharmos que em nossos ventres cresce um tesouro?! Ao que tudo indica nossa reprodução deve ser permitida e pré-determinada pelo Sistema. Devemos lembrar que nossos filhos não são nossos, não passam de mão de obra para o Mercado e para alguns genitores são só mais uma boca para alimentar, mais uma conta no fim do mês. Percebo que, preferencialmente, deveríamos fazer nossos abortos clandestinamente, sem incomodar os possíveis 'pais' nem tampouco a Sociedade.


O Sistema anseia que morramos em breve. Talvez durante o aborto clandestino ou mesmo antes, ao informar nosso parceiro que, como ele detesta camisinha, logicamente uma gravidez aconteceu. Ao sermos espancadas tentando proteger nossas barrigas ou na sala de parto graças à esse monstro chamado violência obstétrica. Tanto faz, somos apenas números.


O sangue derramado pelas mulheres não entra para a História.


Ao contrário do que o noticiário indica e do que nossa cultura 'permite', nós nos fortalecemos, somos maioria, resistimos. Todo o feminicídio que nos persegue desde a Idade Média cairá, seremos vitoriosas pq já não aceitamos o jugo. 


Nosso 'feminismo' constrói e luta por um mundo em que direitos e deveres não estejam condicionados à buceta ou ao pau, mas à outra parte do corpo, o cérebro. Nossa liberdade é para todas e todos, sonhamos com uma igualdade jamais experimentada e não desistiremos até alcançá-la.


Meu desejo é que Izabella não seja esquecida e que este assassino seja condenado. Pelo fim da impunidade!


***
Não se omita! Denuncie: Ligue 180

1.2.15

Por um fio

Pausa.

Canso,
suspiro,
repouso,
reflito.

Por um fio
sustento um peso
que não posso carregar.

Encanto,
inspiro,
deliro,
perco.

Encontro.
Recomeço o trabalho,
árdua manufatura do espelho.



31.1.15

Tortuosidades


O enfado de poeta
prisioneira de um corpo falido.
Todo tédio da letra errante.
Guerras tantas

travadas na arena da incoerência de amante.
Dias inteiros perdidos
nos afazeres do medo.

Incompletudes várias de quem,
inutilmente, se procura no outro.
Absorto.
Passam ao largo dos caminhos sombreados, veredas.
Parecia fácil?
A fera, aos berros, ruge.
Eu estremeço.

Mereço o canto dos pássaros,
o voo incerto dos insetos,
a tarde nos parques,
onde deságuo o que transborda.

Sou poeta de campos abertos.

Mansa Dor



Ao passo que me canso,
amanso.

Tantas guerras travadas...
Vitórias-régias.

Perdi o tino, 
persisti no insight.
Não há pelo que lutar,
nem mágoa, tampouco desilusão.

Deixemos ao tempo
o fardo de apagar
o que não tem sentido
e só inspira solidão.

15.1.15

Antes das cinco

O silêncio dos corredores é quebrado antes mesmo da chegada do astro-rei, as mãos habilidosas que [pré]param os teimosos corpos contorcendo-se em dores, perturbam a quietude da manhã do novo ano.
Neste ofício do cuidar, o carinho de estranhas conta outra história de amor, revira as entranhas de quem cedeu à convicção de estar só.

8.11.14

Súplica


Naquele vale de lágrimas,
onde solidão e insulto
são recorrentes respostas
à prudencia e sensatez,
a fraqueza e a loucura
constroem longas teias.

São rainhas, aranhas, abelhas...
Não param,
fiam,
tecem,
trabalham.
Destroem cada vã esperança
numa vida sã.

E eu desço,
esqueço,
peso e padeço.
Peço,
desfaleço e, enfim,

desapareço.

7.11.14

Íntim[a]idade


DETRÁS DA PORTA

"E o que me importa
Se me escondo por detrás dessa porta
Se ao menos incomoda
É pelo qual o modo
Que tenho
Que se mantêm abstêmio
Até a provação que tenho
Tenho pois, para agora e pra
Depois
Eternizar esse leve alento."

João Jales, 07/04/2012


Lealdade,
talvez seja essa verdade
que poucos conhecem,
e outros tantos esquecem.
Certo dia me disseste:
Não se apresse,
e mesmo que confessem,
espreita!

Estás à tua própria direita
e ao redor mantém
quem te quer bem.
A máscara perfeita
é o espelho que oculta.
Assim, criativamente caótica,
tua tempestade renova,
quem parou de sonhar.

Tu, poeta dos bares,
alçará o voo que sonhares.~
Tu, político das ruas,
gritará a dor na carne crua.
Quando os dias forem maus, canta.
Diante do tempo, no entanto, não te cales.



Ao meu amigo Jales,
Paz e Bem.

23.5.14

Uma fome de "não sei o quê".



Eu nem sabia que também poderíamos morrer de tanto querer.
Da primeira vez que a vi, achei que estava com fome. Acertei! Conheço cara-de-fome de longe.

O problema era o tipo de fome que sentia. Tinha fome de tudo e de nada. Queria o Mundo, talvez o Universo, tudo, num instante só. Às vezes só queria, nada especificamente, parecia ser apenas um desejo, uma vontade não sei de quê, que jamais poderia ser satisfeita. Outras vezes queria tudo o que não poderia querer: queria o céu do meio-dia e a lua, cheia, à meia-noite. Queria todos os opostos e contrapostos, queria a dor do prazer a inutilidade do dizer. Queria também não ter que dizer, sentir apenas e, assim, ser atendida. Era seu vício. Difícil.

Nos conhecíamos desde pequenas e já naquela época ela me disse da fome que sentia. Quando bebê, chorava muito e o leite de sua mãe não lhe agradava em nada, diga-se de passagem. Me contou que a pobre mãe, que não sabia o que fazer, jovem que era, chorava também. E, para vocês verem o que é instinto materno, foram as lágrimas da mãe que a alimentaram.

Eu, que sempre fui comilona, nunca a entendi. Confesso que me impacientei algumas vezes quando a vi com tanta fome e sem saber o que queria comer. Na contradição, nos tornamos amigas, confirmando o velho Blake.

Claro que nossa principal diversão era comer. Vez ou outra comíamos bolhas de sabão, não eram lá muito saborosas, mas depois de uma boa refeição voávamos juntas - furta-cores - até que, num estouro voltávamos para casa, correndo e querendo não levar um 'carão' das mães. Comíamos de tudo: sopa, feijão e livros. Lambíamos baterias e sorvetes de chocolate. De tudo o que fazíamos juntas, o que eu mais gostava era de beber água da chuva para, em seguida, mijar rios inteirinhos!

Em compensação, detestávamos dormir, isso tínhamos em comum. Dormir é importante! - advertiam nossas mães. Ela, surpreendentemente mais paciente que eu, me mostrou que poderia ser até divertido, se soubéssemos como fazer, é claro! Morri tantas vezes que desta vez, já nasci com medo da morte e dormir, definitivamente parecia com morrer.

-Não vejo diversão em dormir! - protestei.
-Isso é porque você não prova os sonhos. - respondeu.

Foi assim que aprendi a sonhar. Juntas conversávamos sobre todos os nossos desejos, vontades e quereres, então sonhávamos. Comíamos cada pedacinho solto de sonho com hashis que fizemos da beliche em que dormíamos juntas o sono da tardinha, e assim crescemos saudáveis, de tanto comer sonhos.

Minha família e eu nos mudamos e não a vi por muito tempo, nos correspondíamos apenas e em suas cartas me contava sobre os muitos sabores das cores, em especial do gosto ruim que tem o marrom, parece terra, ela disse. Na verdade não gostava lá de muita coisa, era exigente e queria sabores nunca antes experimentados, coisa difícil de se achar num supermercado.

Da última vez que a vi estava magra, quase esquelética. Fui visitá-la, levei um beijo e um sonho, não um beijo ou um sonho qualquer, mas aqueles que eu sabia que eram seus preferidos, beijinho de coco e sonho recheado com chocolate. Comeu pouco, acho até que apenas os cheirou, mas cheirava com tanta intensidade que as coisas secavam. Tocava com tanto querer, olhava com tanto desejo que se consumia a si mesma de tanto querer aquilo que não tinha.

Morreu, tadinha.

Morreu sem ter o que desejava, incapaz que era de pedir o que queria, ficou faminta, desnutrida. Morreu, enfim.

Depois de morta, pensou "Que alivio! Agora acabou!"

Morta como estava pensou até que aquele gosto de satisfação fosse um devaneio de fantasma, pena que ela nunca acreditou em fantasmas... Então sumiu, conformando-se com o insaciável desejo de "não sei o quê".





25.4.14

Essa moça...


para Érika.



Quando essa moça passa
não tem quem não ache graça.
É uma beleza,
mistura de raça.
Ela encanta, desembaça a vista
e conquista.
Me disseram até que é comunista, feminista, naturista...
Estes outros tantos istas que me
intrigam e comovem.

Ah! Essa moça...
É sempre bom avisar:
bravura é sua especialidade,
Sai da frente!
Quando a fé vem com vontade
a menina cresce,
nada nem ninguém a impede.

Mas como chora a moça!
Por qualquer coisa,
quando triste, alegre ou brava.
Poucas sabem
Mas a moça-coragem é um doce
como doce de batata-doce.

Essa moça não sabe o que faz
faz a gente se sentir mais forte
mas bela
faz pensar e deixar de preguiça
recomeçar,
Essa moça me inspira.

Respira, moça!
Enche de ar os pulmões e fala,
fala o que pensa, o que sente.
Respira!











16.1.14

Rolêzinho Alienado



Detesto Xópim e algumas "Lutas" são, no mínimo, curiosas.

Não é de hoje que a sociedade civil anda questionando as posturas dos Centros Comerciais, conhecidos popularmente aqui na Colônia como "Shoppings". Um centro comercial é um centro comercial e só. Não é uma área de convivência.

Nunca entendi a motivação de algumas pessoas em ir passear no "Xópim", "ver as lojas", etc... As "Praças de Alimentação" destes estabelecimentos parecem verdadeiras cocheiras onde um monte de animais da espécie humana, comem uma comida ruim e artificial como o próprio ambiente, enquanto fazem, em uníssono, um barulho indigesto e ensurdecedor. Toda essa "diversão" acontece depois de longos passeios por infinitos corredores com iluminação artificial, plantas artificias e gente artificial. Quando podem, compram. As compras são, em geral, produtos feitos por escravos cearenses, bolivianos, chineses... produtos que custam R$ 0,89 mas que o consumidor final paga R$ 200,00, porque o adquiriu dentro de um "Xópim", para piorar ainda repetem a clássica frase: "É de marca!". Que bom...

A colônia e os colonizados continuam desejando ser patrão, ser opressor. Continuam achando que "melhorar de vida" é poder passear no Xópim e ter IPhone. Me disseram que "quando a favela descer os poderosos vão tremer", pena é que a alienação é geral. A favela quer mesmo é subir, quer ser igual à elas e eles, esses aí, os que nunca sentiram frio, os que não sabem o que é não ter um pão dentro de casa, os que estão "acostumados com sucrilhos no prato". Não sou dessas. Não sou de Xópim.

Não me envergonho de ser pobre. Cresci no Bairro São José, às margens. Às margens do Rio Jaguaribe, às margens do Xópim, às margens da sociedade... A padaria mais próxima era a das Lojas Americanas, dentro do Xópim. O segurança olhava a menina da favela, de sandália havaiana (no tempo que sandália havaiana era coisa de favelado, hoje é coisa de Xópim), cabelo pixaim e fazia o que mandavam: seguia. Todos os dias. Ele sabia que eu ia comprar pão, mas sempre me seguia, era a norma do Xópim: Seguir os favelados.

Certo dia fui comprar pão no Xópim e vi, no saguão, uma enorme maquete de como ficaria aquele empreendimento depois de uma grande reforma, nem mesmo prestei atenção no prédio da maquete, a única coisa que me chamou a atenção foi que, ao lado da maquete do Manaíra Shopping havia apenas um rio (limpo!) e um vale. O bairro São José, meu lar, não estava na maquete e nunca estaria, nós éramos a sujeira, éramos os indesejados, não fazíamos parte da cidade. Eu era criança e nunca mais entrei no Xópim. Passei mais de 10 anos da minha vida evitando aquele lugar. Evitando aquela humilhação.

Eu não preciso do Xópim, nem pra dar um "Rolezinho". 

Algumas amigas, ávidas por uma oportunidade de emprego, foram até lá, de currículo na mão e coração cheio de esperança pois, como eram vizinhas acreditavam ter mais chance, até porque o empregador economizaria com passagem. Lêdo engano. Eles não contratavam favelados. Mas isso era naquela época! Hoje tem favelado trabalhando no Xópim, "o Sistema dá oportunidade à todas as pessoas", é só querer! Podemos ser faxineiros, cozinheiros e até seguranças! É um privilégio...

Os "lelekes", são pobres como eu e tem, em sua maioria, cabelo pixaim como o meu, e, assim como eu, não tem grana na carteira. Querem dar um Rolêzinho porque as cidades esqueceram deles, fizeram planos e simplesmente os apagaram da paisagem. Eles não estão lá. O Xópim não os quer lá.

Tudo isso é muito previsível o que não é previsível e também é quase intragável é uma sociedade se organizar para debater a liberdade de acesso aos Xópins.

Que se danem os Xópins e seus empresários. Seu lucro e sua exploração. Eu não quero ir ao Xópim porque lá é uma grande senzala onde comerciários trabalham até 12 horas/dia, onde ricos-ladrões vão para esbanjar sua grana e preencher os vazio de suas almas e onde a classe mérdia compra status social parcelado em 12 vezes sem juros.

A colônia Brasil mantém um apartheid obsceno e enrustido, vergonha para qualquer nação, mas confesso que não estou disposta entrar no front de batalha para ter direito à entrada no Xópim. 

Quero ter direito à Praças, Centros Culturais e Esportivos, Teatros, Cinemas e Bibliotecas.

Os Centros Comerciais precisam de regularização, ponto. Não é possível que estes ambientes estejam acima de tudo e de todos e que possam fazer dalí um covil de discriminadores, racistas e homofóbicos. É preciso exigir que estes estabelecimentos tenham responsabilidade social e comprometimento com o bem estar de seus frequentadores, como por exemplo a obrigatoriedade de montar um pronto-socorro para evitar episódios como o do cliente que, vítima de um AVC, foi jogado na calçada do Manaíra Xópim, enquanto esperava o SAMU chegar e morreu.

Quero ser tratada como gente. Gente de verdade, que sente e pensa. Meu valor para o mundo não está no que visto ou consumo mas em minhas atitudes, pensamentos e sentimentos. Sou muito mais do que uma marca. Sou favelada e sei o que é sofrer, sorrir e viver de verdade, não preciso de Xópim.

***
Sinto saudade dos cinemas no Centro da cidade...







9.12.13

Perdi a conta




Perdi a conta.
Todas as vezes...

De quantas tardes,
tua sandália ficou na porta.
Tem torta de chocolate, e agora?!
Lá fora até o cachorro late,
em Latim.

Perdi a conta
das vezes que te vi assim:
Nos medos do homem,
a coragem do moleque.

Kurosawa pintou sonhos
na tela. Na sala, tua arte.
Um presente no passado,
mil certezas no futuro.

Perdi a conta
das horas tristes,
dos dias felizes.
Sempre aqui, sempre perto.

Só não perdi o endereço
Do teu abraço,
do teu braço,
meu irmão.

Perdi a conta da Lealdade.
Da amizade. Cumplicidade.

Perdi a conta
do quanto te amo...
Mas por favor, não conta!

Não conta pra ninguém,
porque desfazer de você
é minha maior felicidade.
Maldade de irmã,
senhora-dona-da-verdade.

Que se destrambelha,
velha, quer ser moleca
pra brincar de bem-querer!

Perdi a conta
do quanto nos devemos...
Não havia como pagar
a alegria de te viver.
De te ver viver.



***





28.11.13

Lulu. Um aplicativo para mulheres?



"Quando nascemos
fomos programados
A receber o que vocês
Nos empurraram com os enlatados
Dos U.S.A., de 9 às 6.

Desde pequenos nós comemos lixo
Comercial e industrial
Mas agora chegou nossa vez
Vamos cuspir de volta o lixo
em cima de vocês"

Geração Coca-Cola
Legião Urbana


É uma pena que muitas pessoas desta geração não reflitam mais sobre nada, engulam tudo que é importado, principalmente o que é norte-americano. O aplicativo Lulu, tão defendido pelas garotas é mais uma dessas porcarias americanas que tem como única intenção VENDER.

É só um produto, mais um...


Um produtor opressor, que trata o ser humano como objeto, passível de ser classificado, pontuado, definido por palavras de baixo calão. As usuárias do aplicativo para celular referem-se aos homens em aspectos sexuais e comportamentais da forma mais vil, comparada às práticas que o Patriarcado vem impondo à nós desde sempre, tudo aquilo que sempre questionamos, que sempre nos ofendeu, hoje é usado contra os homens. Será mesmo que esta é uma ferramenta útil na luta contra a violência de gênero? Me pergunto em quê um aplicativo como este pode contribuir com a nossa vida. E, se é inútil, porque continuar a utilizá-lo?! A geração que não reflete continua caminhando em direção o abismo da ignorância e apatia...


As mulheres brasileiras precisam sim de um aplicativo só pra elas, um que seja sigiloso e seguro, com intuito de denúncia onde nós possamos alertar as outras mulheres sobre os muitos estupradores e espancadores que estão entre nós, disfarçados de bons garotos.

Gatas, falar de como o boy é na cama não nos faz seres humanos melhores ou mais fortes. Somos muitos mais que isso. A tecnologia deveria ser uma ferramenta para que nós ao menos tentássemos compensar os últimos 5.000 anos de Patriarcado, de dominação, exploração e abuso. Nós só a utilizamos como lazer. Sempre achei que o lazer era o descanso de quem produz, nesse caso o lazer é apenas mais do mesmo, é ócio improdutivo, hoje a inutilidade humana chegou à níveis surpreendentes.

Precisamos, com urgência de Valores, de Amor e de uma luta COERENTE pela Igualdade e não de mais um produto que só vai fazer de nós marionetes do mercado e intensificar a "guerra dos sexos" que dá tanto lucro ao mercado.

Atenção mulheres, cuidado para não continuarem se entregando à opressão por vontade própria, ou seria apenas alienação mesmo?

Pobre Luluzinha, virou referência para algo tão sem sentido, logo ela...

______________________

[Sobre o aplicativo: O aplicativo mais quente e que é sensação nos EUA chega ao Brasil! Faça download do Lulu em português para avaliar os caras que você conhece. Mais de um milhão de garotas nos EUA usam o Lulu para fazerem decisões mais inteligentes sobre garotos.

Tudo que as garotas fazem no Lulu é privado e anônimo. Sua atividade no Lulu jamais irá parar no mural de alguém no Facebook ou nas mãos do cara que você está a fim.

Características

· Avaliações: Leia e crie avaliações anônimas sobre os garotos da sua vida: amigos, caras que você está a fim, ex-namorados, etc. 
· Favoritos: Você pode Favoritar seus garotos preferidos, e nós iremos notificá-la sempre que eles tiverem deliciosas atualizações no Lulu.
· Explore: Confira os garotos da sua faculdade ou busque por caras com qualidades que você está procurando (garotos engraçados, doces, que tenham um beijo incrível…).
· Dear Dude: Receba conselhos para encontros na seção “Dear Dude”, de um cara super honesto e divertido que entende do assunto.]






7.11.13

FelizIdade




Quero um relógio.

Mas pouco importam as horas...
Quero ser Senhora do meu Tempo
ver passar segundos à contento
no alento da certeza
que a Fé não enganou.

Lá fora, no Jardim, a Amora

é adornada como Iroko.
Meu tempo já não vai embora...
Quero, de hora em hora,
poder vê-lo passar.

No braço, quero o abraço do orixá.

No compasso dos ponteiros
ver o mundo inteiro se afastar
pra brincar de ser criança
e na dança de ciranda, cirandar.

O Tempo, esse Senhor,

trouxe o Poeta Amado,
desejado dia a dia
na melancolia do passado.

Ando na vontade infinita

da bendita felicidade.
Noutros tempos andei
pelas ruas da cidade,
sem saber das horas
nem entender essa demora
da sonhada Liberdade.

Hoje, acabou bem na hora

e ontem foi um sonho ruim.
É do amanhã que Tempo fala:
Da sala cheirando à café,
da solidão que chegou ao fim.















27.9.13

De volta.



Se me desloco
a direção

é sempre a mesma:

a tua.

São viagens. 
Um corpo 
de encontro 
ao outro. 

Se espero, 
tua rota gira. 

São passagens. 
Um sonho 
completando 
o outro. 

De volta 
a falta que faz 
tua pele nua. 

Idas e vindas, 
minhas e tuas. 

São muitas viagens...
Caleidoscópio vivo,
no espelho
dos teus olhos.




26.9.13

Somos todas Clandestinas


Dia desses ouvi um o julgamento pessoal de que a morte da genitora é preferível à do feto. Fiquei chocada, claro! Cada dia entendo menos essa sociedade em que vivemos, tão materialista e vivendo sempre em função do capital, do lucro.

Há relatos históricos de que, se uma indígena brasileira estivesse em situação de perigo ou iminência de guerras entre tribos, elas abortavam. Elas guerreiam junto com toda a tribo e em outro momento engravidam novamente. Me parece muito mais lógico.

O feto só é mais importante do que a genitora na nossa sociedade, cristã e capitalista, na qual as mulheres não tem direitos de escolha sobre seus próprios corpos e que o sistema prefere a mão-de-obra mais jovem do que a mais velha. Só para registro: Nós mulheres, não somos fábricas de operários para o Sistema e nem muito menos posse ou produto para que a sociedade escolha o que faremos com nossas vidas!

Ninguém tem o direito de achar ou não-achar nada quando o assunto é o corpo da outra pessoa. As mulheres são livres, sempre fizeram aborto e vão continuar fazendo queira a sociedade brasileira assumir isso ou não. A questão não é concordar ou não com o aborto, a questão é que todos os anos, centenas de mulheres morrem ao fazer aborto ilegal.

Qual a nossa posição sobre isso? As mulheres ricas vão às clínicas particulares e fica tudo bem. Mas e as pobres? Não é dever do Estado, à quem essa mulher pagou impostos a vida inteira, atendê-la no pior momento de sua vida?

De Livre à Clandestina, no intervalo de um ciclo menstrual, 28 dias e sua vida estará mudada para sempre... Alguém sabe o que é isso? Alguém sabe o que é ser ridicularizada publicamente APENAS porque escolheu fazer o que bem entender com o próprio corpo, sem se preocupar com o que diz a Sociedade? Só uma mulher sabe o tamanho da pressão que sofre, inclusive de outras mulheres.

O aborto, para muitas dessas meninas, algumas menores, pretas e pobres, não é escolha, é consequência. Consequência das pressões culturais, econômicas e sociais que são impostas diariamente às mulheres.

Para muitas de nós, a gravidez, pode não representar "uma bênção", "um presente", apesar da maravilha que é poder gerar um filho, em muitos casos essa gravidez vai representar muito mais sofrimento. Sem a menor intenção de estimular as mulheres ao aborto como método anti-concepcional, ao contrário do que se pensa, o aborto é algo que as mulheres NÃO QUEREM, mas que, mesmo assim, muitas vezes PRECISA ser feito. Não cabe à nós o julgamento sobre se deve ou ou não ser feito, elas tem feito independente do que você ou eu pensamos sobre isso e precisam ser atendidas pelo SUS, é uma questão de saúde pública, não podemos deixar que as mulheres continuem morrendo por tentar interromper uma gravidez indesejada.

Todos os dias, mulheres casadas vêem sair da boca de seus "maridos" que "não é o momento" de ter outro filho. Diariamente mulheres casadas são levadas ao aborto clandestino porque aquele que deveria ser seu "companheiro" é covarde e prefere que suas mulheres vão para a mão de açougueiros em clínicas clandestinas. Até quando?


Deixemos de hipocrisia. Nelson Rodrigues, que não gostava muito de feministas, disse certa vez que "Se todos conhecessem a intimidade sexual uns dos outros, ninguém cumprimentaria ninguém". Entender essa moral pitoresca que impregna nossa sociedade é um desafio.

As mulheres que abortam são suas amigas, suas filhas, suas irmãs, namoradas, esposas e, pasmem, até suas mães. Essas mulheres têm se submetido à procedimentos caseiros, clandestinos. São nossas mulheres que estão morrendo...

O aborto, apesar de crime, é praticado em todas as camadas sociais, inclusive em comunidades religiosas. Mas quem é que não sabe disso, não é mesmo?!

Todos sabem. Muitos se omitem.

Enquanto isso as mulheres morrem.

Somos todas Clandestinas.
























___________________________________

Mais informações:

Toda mulher em processo de abortamento, inseguro ou espontâneo, terá direito a acolhimento e tratamento com dignidade no Sistema Único de Saúde (SUS). É o que garante a Norma Técnica de Atenção Humanizada ao Abortamento, criada pelo Ministério da Saúde em 2004. A iniciativa teve como base estatísticas que revelam as complicações decorrentes de abortos inseguros como a quarta causa de morte materna no País. 

O código penal brasileiro só permite a realização de abortos que tratam de riscos de morte para a mulher ou de gravidez resultante de estupro. A constituição federal também garante a saúde como um direito de todo cidadão. "Em respeito à constituição brasileira, a função do SUS é atender toda a população em situação de risco", conclui Regina Viola. "A elaboração da norma é uma das ações estratégicas do Pacto Nacional pela Redução da Mortalidade Materna, lançado no passado, que contou com a adesão da sociedade civil e das secretarias de saúde", completa. 

Números - Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) metade das gestações é indesejada e uma a cada nove mulheres recorre ao aborto. No Brasil, os cálculos mostram que o índice de abortamento é de 31%. Ou seja, ocorrem aproximadamente 1,44 milhão de abortos espontâneos e inseguros com taxa de 3,7 para cada 100 mulheres. A gravidade da situação do abortamento também se reflete no SUS. Só em 2004, 243.988 mulheres foram internadas para fazer curetagem pós-aborto. 

Fonte: Portal do Ministério da Saúde do Governo Federal

















___________________________________

História do Aborto

29/07/2010
A questão do aborto é muitas vezes consideradas uma questão moral, uma questão apenas da vida do feto, mas tem várias outras questões históricas, políticas e sociais que também precisam de atenção numa consideração do assunto. O aborto nem sempre era proibido como hoje em dia, na realidade o aborto era aceito nas sociedades antigas e pré - industriais no mundo inteiro, incluindo o mundo cristão. Também nas sociedades indígenas o aborto era conhecido e usado freqüentemente; num estudo de 400 sociedades "primitivas" só tinha uma que desconhecia o aborto, e até hoje o uso de ervas e comum na nossa sociedade. Nas sociedades humanas primitivas, as mulheres usavam esse conhecimento de ervas, tanto anticoncepcionais quanto abortivas para controlar o números de filhos que elas tinha. A mulher era livre e tinha poder econômico e político dentro do clã e geralmente controlava a agricultura e a medicina. Mas enquanto a prática de aborto era livre dentro das sociedades privativas, com o começo da sociedade privada e a formação do estado, as mulheres foram perdendo suas independência e seus controles sobre seus próprios corpos.


As atitudes sobre o aborto sempre tinha a ver com as condições econômicas do lugar, quando as mulheres tornaram "propriedades" dos seus maridos. O feto também foi tratado como propriedade. Pôr exemplo, na lei hebraica eles não falam de aborto provocado pela mulher, mas condenam o aborto provocado pela violência, não como uma morte, mas como "um dano econômico contra o marido da mulher". Do mesmo modo, tanto na Grécia quanto na Roma antiga, o feto era considerado parte do corpo da mulher, e então parte da propriedade do homem. Geralmente o aborto era permitido (com a permissão do marido) porque era necessário para o controle de natalidade; os pensadores Hipócrates, Sócrates e Platão apoiavam e até davam conselho sobre métodos. Mas em alguns lugares na Grécia eles proibiam o aborto, como pôr exemplo em Macedônia  porque queriam criar um maior números de atletas e guerrilheiros.

Assim os estados emergentes proibiam e permitiam o aborto dependendo das necessidades deles, usando os corpos das mulheres como instrumento de produção.

A crendice da época era que o feto recebia alma, ou foi "animado" depois de 60 dias, e que até esse ponto era aceitável fazer aborto. Os cristãos pegaram essa mesma ideia e ficaram com ela até 1588 quando algumas correntes da igreja começaram a dizer que todos os abortos eram crimes. Mas essa mudança de ideologia não apenas moral; durante essa época a igreja e o estado estavam uma guerra contra as mulheres pôr razões políticas e a posição contra o aborto, era apenas mais uma maneira de tirar o poder das mulheres. Alicia non Grata descreve as condições da época; "A maioria das pessoas tem ouvido falar das caças as bruxas, da inquisição e outros crimes terríveis cometidos em nome de "Deus", mas não fazem ideia de que a caça as bruxas dos séculos 14 e 17 não vinha de "um populacho louco", envenenamento de ergot ou comportamentos extremos levados pela superstição ou pelo medo, mas planos bem executados de extermínio com o objetivo de apagar o poder das mulheres e esmagar as revoltas dos camponeses... A caça as bruxas era uma campanha bem organizada, iniciada, financiada e executada pelo estado e pela igreja. As caças mais virulenta era associadas com períodos de motins sociais, agitação nas raízes do feudalismo, revolta de massa e conspirações camponeses (as), o começo do capitalismo. Também tem evidencia que em algumas áreas a pratica de "bruxaria" representava uma rebelião dirigida pelas mulheres. Nessa época as mulheres ainda tinha poder consideráveis, elas eram as médicas do povo, elas tinham o direito de fazer leis (na Inglaterra) e elas se encontravam em grupos para se discutir conhecimento das ervas, notícias e atividades políticas.

O Estado e a igreja entenderam que essa autonomia e poder eram controlar o povo.

Eles então criaram a desculpa de heresia e mataram milhares de mulheres (das cercas de 100.000 pessoas massacradas na caça as bruxas 85% delas eram mulheres).

Mas apesar de toda essa ideologia anti-mulher, a posição da igreja contra o aborto não se tornou oficial até 1869, quando o papa Pio IV declarou todos os abortos como assassinatos, e a igreja católica começou sua luta contra o aborto. A data 1869 coincide com o final e oficialização da revolução científica que era outro movimento querendo tirar conhecimento e poder das mãos das curandeiras e parteiras para concentrariam dentro do estabelecimento médico. Não é surpreendente que o estado se posicionou contra o aborto ao mesmo tempo que a igreja.

Nesse período o estabelecimento médico falava que proibir o aborto era necessário para "proteger" as mulheres, porque o aborto era procedimento perigoso...

Mas as razões eram reais eram todas políticas. A revolução industrial começou nos EUA e a Inglaterra estava iniciando a exploração da América Latina e precisavam de mais mão de obra. Nos EUA também o governo temia "suicídio da raça branca " pôr causa que a natalidade estava caindo e o presidente T. Roosevelt falou "temos que manter a pureza da raça, precisamos de mais nascimento de brancos nativos".

Outra razão importante para a proibição do aborto era que o capitalismo industrial crescente precisava de mulher para trabalhar em casa sem renda, ou com extrema baixa renda fora de casa e para produzir a próxima geração. Sem aborto legalizado foi difícil para as mulheres evitarem essas intenções.

Mas as leis contra o aborto não eliminariam a necessidade nem a prática do aborto e no começo do século vinte, alguns lugares começaram a permitir o aborto de novo, pôr causa dos protestos e da resistência das mulheres. Mas essa liberdade não durou muito tempo e pôr causa da grande perda de vidas durante a Primeira Guerra Mundial, a Europa ocidental voltou para a política natalística (contra o aborto), e nos proibindo anticoncepcionais e punindo o aborto com pena de morte.

Nos anos 60 e 70 muitos países europeus e "comunistas" conseguiram o direito ao aborto através de movimentos populares ou da necessidade daquele país Ter mulheres trabalhando fora de casa, mais a maioria dos países do mundo não dão esse direito; o direito ao aborto acessível e seguro, os fatos mostram que as mulheres fazem aborto, como sempre faziam, com ou sem legalização.

A posição contra o aborto mostra mais o fato de ser Ter controle sobre as mulheres do que um interesse na vida, todos os massacres, guerras, pena de morte e assassinatos cometidos pela policia não chamam tanta atenção quanto ao aborto.

Os anti-abortistas falam tanto de proteger a vida, mas não consideram as vidas de milhares de mulheres que morrem a cada ano com complicações na assistência ao aborto, elas sendo pessoas que realmente tem vidas já desenvolvidas vezes tem dependentes que podiam ser deixados órfãos (a grande maioria das mulheres que fazem abortos no Brasil já tem filhos). A pessoa que realmente tem um interesse na vida, também deve considerar as vidas dos menores abandonados, aqueles que não foram desejados ou vieram para mães sem condições de cuidar deles. Quem deseja uma vida de fome, frio e se sobreviver até adulto, de criminalidade. Provavelmente as mesmas que aplaudiram o massacre no Carandiru e que tem uma posição contra o aborto.

Não é melhor ter filhos só quando podemos lhes dar amor e alimentação? Obviamente, a questão da proibição do aborto não é a vida, como vemos na história do aborto, e sim uma questão política de controle sobre as mulheres das classes baixas. O estado usa alas como maquinas de reprodução dependendo de sua s necessidades; pois vemos que as mulheres ricas têm acesso ao aborto seguro (os ricos nunca são submetidos as mesmas repressões que os pobres sofrem). A legalização do aborto deve ser acompanhado com campanhas de informações sobre os anticoncepcionais, sendo esses distribuídos de graça, pois nosso objetivo não é aumentar o número de abortos que podem causar complicações e não necessariamente muito agradáveis para a mulher.

Texto extraído do zine PANDORA














25.9.13

Uma Arte

"Uma arte"
Elizabeth Bishop
Tradução de Paulo Henriques Britto

A arte de perder não é nenhum mistério;
tantas coisas contêm em si o acidente
de perdê-las, que perder não é nada sério.

Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,
a chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.

Depois perca mais rápido, com mais critério:
lugares, nomes, a escala subseqüente
da viagem não feita. Nada disso é sério.

Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.

Perdi duas cidades lindas. E um império
que era meu, dois rios, e mais um continente.
tenho saudade deles. Mas não é nada sério.

— Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo
que eu amo) não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser mistério
por muito que pareça (Escreve!) muito sério.

24.9.13

Aborto Legal

Eu não consigo compreender o julgamento pessoal de que a morte da genitora é preferível à do feto. A genitora é mais importante do que o feto, não é natural que a gestante dê a vida por algo ou alguém que ainda não nasceu. Indígenas brasileiras abortavam se estivesse em situação de perigo ou iminência de guerras entre tribos, elas guerreiam junto com toda a tribo e em outro momento engravidam novamente.

O Feto só é mais importante do que a genitora na nossa sociedade, cristã e capitalista, na qual as mulheres não tem direitos de escolha sobre seus próprios corpos e que o sistema prefere a mão-de-obra mais jovem do que a mais velha. Nós mulheres, não somos fábricas de operários para o sistema e nem muito menos posse ou produto para que a sociedade escolha o que faremos com nossas vidas.

Ninguém tem o direito de achar ou não-achar nada quando o assunto é o corpo do outro. As mulheres são livres, sempre fizeram aborto e vão continuar fazendo queira a sociedade brasileira assumir isso ou não. O questão não é concordar ou não com o aborto, a questão é que todos os anos, centenas de mulheres morrem ao fazer aborto ilegal.

Qual a nossa posição sobre isso? As mulheres ricas vão às clínicas particulares e fica tudo bem e as pobres? Não é dever do Estado, à quem essa mulher pagou impostos a vida inteira, atendê-la no pior momento de sua vida?

Eu orei por você...


"One Love!
One Heart!
What about?
Let's get together and feel all right
Give thanks and praise to the Lord
and I will feel all right;
Let's get together
and feel all right"


Bob Marley



O que é mesmo que a gente pode saber sobre o Amor, o que é mesmo que a gente pode especular sobre algo tão desconhecido?

Nunca experimentei o Amor. Digo isso porque para mim Amor é um sentimento minimamente correspondido, esses amores não-correspondidos são invenções nas quais a gente se apega por conta da carência, se apega feito um cachorro de rua se agarra à um osso velho.

Amor é prática, é vivência.

Amor é construído por mais de um. Não me refiro à esse esse amor idealizado, romântico, cheio de mentiras e falsidades mas com aquele Amor , o de verdade, o que mesmo nos conhecendo na intimidade continuam nos querendo por perto.

Só ama quem conhece. Não há Amor quando você sequer sabe com quem está se relacionando. A sinceridade é o princípio básico do Amor.

Não é justo não saber quem está ao seu lado todos os dias, isso tira de você o direito de escolha. Quando vivemos uma ilusão o que pode nos mostrar o caminho que aquela relação irá tomar? Continuamos normalmente com nossos planos sem saber que em poucos segundos tudo irá desabar sobre nossas cabeças. É injusto demais.

Já vi grandes amores chegarem ao fim, amores de longa data e amores recentes, mas todos intensos e cheios de entrega, força e beleza. Cada um em cada canto viveu essas sensações de maneira inteiramente diferente, cada  um sofreu à seu modo, mas todos viram em mim alguém para desabafar... O que talvez não soubessem é que minhas emoções parecem uma esponja. Absorvo o que vejo e o que vivo de outras e com outras pessoas, logo, sem querer sinto um pouco do que elas estão sentindo também. E sofro.

Compaixão não é um dom, é um fardo. Sentir a dor do outro é extremamente cruel, não há nenhuma vantagem nisso, só dor e mais dor. Se é que se pode dizer que há algo de bom é que percebo que a dor de quem amamos diminui consideravelmente quando elas compartilham, quando falam.

Eu não falava e sofri muito por conta disso. Precisamos falar.
Às vezes, precisamos ouvir.
Quando me despeço e fecho o portão, vem tudo de uma vez, posso rever e ouvir cada um, em cada canto, agarrado em sua dor, tudo que ouvi e senti durante o dia inteiro volta, como uma enorme onda, destruindo tudo por onde passa.

Quis ajudar e não pude.

Apenas orei.
Por cada uma e por cada um...

__________________________

Orei por você e pedi que sua dor diminuísse, pedi que eu tivesse força o suficiente para te ajudar, orei para que você possa aceitar as coisas como são, possa reagir e volte à ser feliz!

Orei por você e pedi que você se encontrasse, que pudesse olhar à volta e colocar os pés nos chão.

Orei por você e agradeci à força que vi nos teus olhos, pedi que você tivesse, pela primeira vez, a coragem necessária para se reconstruir e, finalmente descobrir quem é você.

Orei por você e pedi que você pudesse ser feliz sem tanta hipocrisia, que você conseguisse experimentar a sinceridade ao menos uma vez.

Orei por você e pedi que você esquecesse o que não te serve mais...

Por fim, orei pelo homem que amo... não pedi nada. Orei e contei (às paredes?) o quanto ele me faz feliz.

Aqui dentro eu achava que sabia o que cada um precisava, imagina! Eu nem sequer sei do que EU preciso. Orei por mim também e pedi paciência e sabedoria. Anda faltando...

__________________________

Amor é um pouco disso também, sabe? Amor é esse querer bem, esse querer nada, amor é esse conhecer e admirar no todo, é esse respeito mesmo ciente dos defeitos. Amor é a aceitação de outra pessoa e o desejo de tê-la por perto, mais perto. Dentro. 

Amor é a compaixão na prática, é sentir a outra pessoa mesmo quando ela não está lá... Amar é.. 

Amar não tem manual ou explicação compreensível, não está em cartilhas ou na "multidão de conselhos", não responde a conjecturas. O Amor é naturalmente rebelde, é dono de si e independente das vontades humanas, o amor é força criadora, mola que move o mundo...

No fim, amar não é nada disso e é tudo isso, amor é verbo, ação que não se explica, apenas se sente. Que se danem as muitas verdades, que se danem as definições, explicações, motivos e conceitos. Amar é tudo e nada. Parafraseando Mário Quintana, O Amor tem esse gosto de nunca e de sempre.
____________________

Não sei se há uma divindade que ouça minhas preces e as atenda, pouco importa! O que importa é verbalizar o sentimento e apenas torcer pra ver quem você ama feliz, de verdade!

Eu orei por vocês...
Foi tudo o que pude fazer.
Agradeço, voltei à orar.

____________________

Jah bless.